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PORTO DE OUTEIRO

Legado da COP vira gargalo e cruzeiros retiram Belém da rota internacional

Sem planejamento depois do evento, imposição para atracação exclusiva eleva custos operacionais e deixa Belém literalmente a ver navios.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/03/26 09:10
Legado da COP vira gargalo e cruzeiros retiram Belém da rota internacional
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presentado como um dos principais legados estruturais da COP30 para Belém, o Porto de Outeiro - que voltou a operar para receber dois navios transatlânticos usados como hospedagem de alto padrão durante o evento climático, em novembro - ainda não foi incorporado a uma estratégia estruturada de recepção futura de cruzeiros internacionais por parte da Prefeitura de Belém, governo do Pará e governo federal.

 

Exigências da CDP para uso do Porto de Outeiro, obra de R$ 233 milhões, na prática tira Belém dos planos dos operadores internacionais/Fotos: Divulgação.

Na prática, o que se observa desde o encerramento da conferência é um vácuo de planejamento institucional. E, agora, uma medida da Companhia Docas do Pará (CDP) pode agravar o cenário: a intenção de obrigar que todos os navios de cruzeiro, indistintamente, atraquem exclusivamente no Porto de Outeiro ainda nesta temporada.

Lógica afeta logística

O problema é que essa medida afeta diretamente o planejamento logístico e financeiro de cruzeiros internacionais, que é feito com até dois anos de antecedência em negociação direta entre armadores e agentes portuários. Nesse processo, são definidos previamente todos os custos operacionais da viagem, incluindo taxas portuárias, logística de embarque e desembarque e serviços de reabastecimento.

Até então, os navios que incluíam Belém em seus roteiros trabalhavam com três possibilidades técnicas: as embarcações de pequeno porte podiam atracar diretamente no Porto de Belém, uma alternativa hoje praticamente inviável, após a construção do Hotel Vila Galé e a ocupação do restante do porto alfandegado por embarcações ligadas à prospecção de petróleo no Amapá.

Sem planejamento

A outra opção, para navios de médio porte, é fundear em frente à Estação das Docas, desde que seja em maré alta. Já os grandes transatlânticos só conseguiam fundear à altura de Icoaraci. Foi com base nessas condições que os custos foram previamente levantados e aprovados pelas companhias.

Com a utilização do Porto de Outeiro durante a COP30, no entanto, a CDP passou a exigir que todos os cruzeiros utilizem exclusivamente o terminal da ilha. Embora não haja oposição das companhias quanto à estrutura em si, a mudança impõe custos adicionais de operação e logística que não foram cotados anteriormente e, por isso, não podem mais ser absorvidos pelas empresas.

Impacto e prejuízos

O impacto já começou a ser sentido. Um navio que tinha escala prevista para Belém em fevereiro optou por cancelar a parada e seguir diretamente para Fortaleza, após não obter autorização para fundear em Icoaraci como inicialmente planejado. O motivo: a obrigatoriedade de atracação em Outeiro com pagamento de custos extras não previstos em contrato.

O mesmo ocorreu com o cruzeiro “MS Splendours”, que chegaria no último dia 4 de março. O navio alterou sua rota para Fortaleza, de onde seguiu direto para o Caribe, causando graves prejuízos ao turismo, com o cancelamento de mais de 650 passeios já contratados por um operador de turismo em Belém. 

A verdade é que - com o perdão do trocadilho -, ao se verem a ver navios - dois transatlânticos, para ser exato -, empresários da área de turismo receptivo, transportes, guias, associação de transportes fluviais e museus foram prejudicados em Belém. O setor diz não se sentir representado pelo Estado e aponta a Secretaria de Turismo como “inoperante”.

Segundo um operador, o prejuízo é de mais de R$ 200 mil, fora os prejuízos de outros passageiros que embarcariam na capital paraense. 

“Estamos virando apenas o ponto de divulgação para Fortaleza, que de fato está recebendo os turistas”, alerta um operador.

Onde está o obstáculo

Além das tarifas consideradas elevadas, companhias também têm relatado deficiência na infraestrutura local para serviços essenciais como reabastecimento de combustível e água potável, o que compromete ainda mais a competitividade do destino frente a outros portos da região. No setor, a avaliação é de que decisões unilaterais, sem articulação prévia com agentes marítimos e operadores internacionais, comprometem não apenas a atual temporada, mas também a presença futura da capital paraense no circuito global de cruzeiros.

Com isso, o prejuízo é grande. Uma vez retirada da rota, a cidade dificilmente volta a ser incluída no planejamento das companhias, o que implica perda direta de fluxo turístico, geração de renda, visibilidade e projeção internacional.

Porto e investimentos

Reativado com R$ 233 milhões em investimentos federais, viabilizados por meio da Itaipu Binacional, o Terminal Portuário de Outeiro foi completamente modernizado para receber os dois navios de cruzeiro que funcionaram como hotéis flutuantes durante a COP30, acrescentando cerca de 6 mil leitos à rede de hospedagem da capital durante o evento climático realizado em novembro.

Entregue às vésperas da conferência com a promessa de integrar Belém de forma permanente às rotas de turismo marítimo internacional após a operação, o equipamento foi alçado à condição de vitrine logística da cidade.

O problema agora é que, sem uma política clara de continuidade e articulação com o mercado de cruzeiros no pós-evento, o que se anunciava como legado estruturante corre agora o risco de se transformar em um entrave que, em vez de atrair, afasta o fluxo internacional que passou por Belém durante a COP30.

O problema agora é que, sem uma política clara de continuidade e articulação com o mercado de cruzeiros no pós-evento, o que se 

Papo Reto

O que se diz é que o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (foto), bateu o martelo: deixará o PSB para se filiar ao partido Novo, apadrinhado pelo deputado federal Marcel van Hattem. Esta seria a condição dos apoiadores da direita para participar da campanha do prefeito.

•Segundo fontes da coluna, num cenário polarizado como nunca, Daniel sabe que precisa acender vela para três santos: o da direita, o da esquerda e o dele mesmo - por isso a deputada federal Alessandra Haber deixará o MDB, pelo qual se elegeu, pelo PSB.

Com isso, acrescente a fonte, “Daniel simula ter tomado lado, mas a verdade é que, tendo nas mãos um partido de esquerda e outro de direita, segue em cima do muro, tentando convencer eleitores dos dois lados”.

•Todas as vezes que a Igreja do Evangelho Quadrangular indicou candidato a prefeito ou vice-prefeito de Belém foi derrotada e ficou bem distante de passar para o segundo turno.

Em 2004 a Igreja indicou o pastor e deputado estadual Martinho Carmona, que ficou em 4º lugar, com 4,48% dos votos (32.608 votos).

•Em 2008, indicou o pastor e deputado federal Josué Bengtson para vice-prefeito na chapa do então candidato Zenaldo Coutinho, do PSDB. Ficou em 4º, com 13,34% dos votos, 96.954 votos.

Em 2020, a Quadrangular indicou a pastora Patrícia Queiroz a vice-prefeita do candidato a José Priante, do MDB. A chapa ficou em 3º lugar, com 17,3% dos 123.000 votos.

•A estratégia de usar liderança evangélica - especialmente da Quadrangular, que tem forte presença no Pará - para captar o “voto evangélico” em Belém não tem funcionado nas disputas majoritárias. 

As chapas ficam estagnadas em faixas baixas-médias de votação e não conseguem romper para o segundo turno. Isso reforça a ideia de que, pelo menos nesse contexto local, política e religião nem sempre combinam de forma eficaz para vitória eleitoral.

•O voto evangélico é heterogêneo, fragmentado entre várias denominações e influenciado por outros fatores - economia, imagem do candidato, alianças partidárias.

Quer saber? O vice será do PT. Saudações.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.