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Prefeito do MDB amplia controle político e vira alvo de denúncias no MP

Em Marapanim, casos vão de promoção pessoal com possível uso indevido de imagem pública a suposta interferência em ações policiais.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 25/04/26 11:00
Prefeito do MDB amplia controle político e vira alvo de denúncias no MP


 Quando mandou pintar a própria imagem em um muro de um dos pontos mais visitados de Marapanim, o prefeito Anderson Dias, do MDB, sinalizou, na prática, o que adversários e críticos já vinham apontando: a personalização da gestão. O gesto, que poderia ser lido como mero excesso retórico, ganhou contornos institucionais ao chegar ao Ministério Público do Pará.

 

Anderson Dias é acusado de personalizar gestão e manter rígido controle de eventos promovidos por adversários políticos/Fotos: Divulgação.

Em agosto do ano passado, o órgão recomendou a remoção da imagem, sob o entendimento de que a obra - assim como o restante da arte no local - teria sido custeada com recursos públicos, o que vedaria promoção pessoal. A prefeitura informou concordar com a recomendação, mas sustentou que o projeto não envolveu verbas públicas.

Manda quem pode...

O episódio do mural não é isolado. Relatos reunidos pela coluna indicam um padrão de atuação que associa o exercício do cargo à afirmação direta de poder político.

Em julho do ano passado, durante uma ação policial na Praia de Marudá, agentes da Polícia Militar encerravam uma festa de som automotivo após o horário permitido. Segundo registro feito na Polícia Civil, houve intervenção do prefeito junto ao comando local da PM. A orientação repassada à guarnição foi para liberar o evento.

Ainda de acordo com o boletim, o prefeito teria afirmado, em tom elevado, que “a comida da Polícia seria cortada” caso a medida fosse mantida, além de declarar que “quem manda na cidade sou eu”. Os policiais deixaram o local sob vaias, e o episódio foi formalizado por um dos integrantes da equipe, que relatou risco à integridade da guarnição.

Pressão e eventos

Mais recentemente, novas denúncias ampliam o escopo das acusações. Documentos encaminhados à coluna indicam suposta restrição ao apoio policial em eventos que não contariam com alinhamento político da gestão municipal.

Um dos casos envolve a Copa Euvaldo Gama de Futebol, realizada no bairro Abacatão. O evento reuniu cerca de mil pessoas no último dia 19 de abril e, segundo os organizadores, houve solicitação formal de apoio da Polícia Militar dentro do prazo legal. O pedido não teria sido atendido, embora haja registro de ciência do comando local.

Durante a abertura, um homem foi contido após tentativa de aplicar golpes envolvendo cartelas de bingo, o que gerou tumulto. A contenção foi feita por seguranças presentes, em cenário que, segundo relatos, poderia ter escalado sem a presença de força policial treinada.

Vínculos e suspeitas

As denúncias também mencionam possível proximidade entre o comando local da PM e a gestão municipal. Um dos pontos levantados envolve a lotação de familiar de integrante da corporação na estrutura da prefeitura, em cargo na área da saúde.

Não há, até o momento, confirmação oficial de irregularidade nessa relação, mas o contexto é citado por denunciantes como parte de um ambiente de influência política sobre estruturas institucionais.

Boicote político

Outro eixo das queixas aponta para tentativa de esvaziamento do torneio esportivo, organizado por adversários políticos do prefeito. Segundo os relatos, servidores municipais estariam sendo desencorajados a participar, e prestadores de serviço, como transporte, teriam sido pressionados a não atender equipes envolvidas na competição.

As informações já foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado, por meio da Promotoria de Justiça de Marapanim, que recebeu representação sobre os fatos no dia 22 de abril. Até o momento, não houve manifestação pública sobre eventuais medidas.

A coluna também procurou o comando da Polícia Militar, em Belém, para esclarecimentos sobre a atuação da corporação nos episódios relatados. Não houve resposta até o fechamento. O espaço permanece aberto para manifestações.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.