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REGENERAÇÃO DA MEDULA

Pesquisa brasileira testa os limites da ciência ao sinalizar cura contra paralisia

Molécula desenvolvida ao longo de três décadas entra em fase clínica e reacende debate sobre regeneração da medula espinhal.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 19/02/26 08:00
Pesquisa brasileira testa os limites da ciência ao sinalizar cura contra paralisia
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e tempos em tempos, a ciência brasileira rompe o silêncio dos laboratórios e invade as redes sociais. Foi o que ocorreu nas últimas semanas com a polilaminina, apontada como possível alternativa terapêutica para pessoas com paralisia decorrente de lesão medular. Entre entusiasmo legítimo, desinformação digital e disputas narrativas, há um dado objetivo: existe, sim, um avanço científico relevante em curso - e ele precisa ser analisado com rigor, não com torcida.

 

Desde os anos 1990, neurocientista Tatiana Coelho, da UFRJ, passou por cortes orçamentários e pela escassez de financiamento à ciência no Brasil/Fotos: Divulgação.

A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína presente na matriz extracelular do organismo e essencial para a organização estrutural dos tecidos. A proposta da molécula é criar um ambiente bioquímico favorável ao crescimento de axônios - as fibras nervosas responsáveis por transmitir impulsos entre o cérebro e o restante do corpo.

Quando ocorre uma lesão medular, esses axônios não conseguem se reconectar adequadamente. A polilaminina foi concebida justamente para estimular essa reconexão, funcionando como um suporte molecular que favorece a regeneração neural. Não é milagre; é biotecnologia aplicada à fronteira mais difícil da medicina.

Três décadas de estudo

A pesquisa é liderada pela neurocientista Tatiana Coelho de Sampaio, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho começou nos anos 1990 e atravessou cortes orçamentários, mudanças institucionais e a conhecida escassez de financiamento à ciência no Brasil.

Foram quase 30 anos de experimentos em cultura celular, testes em modelos animais e refinamento da molécula. Estudos em ratos com lesão medular indicaram crescimento axonal e melhora funcional. Em modelos veterinários, como cães com lesões crônicas, os resultados também foram considerados promissores. Nada disso equivale à comprovação clínica em humanos, mas desmonta a narrativa de improviso ou “descoberta repentina”.

O marco regulatório

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da aplicação da polilaminina em pacientes com lesão medular aguda. Fase 1 não mede eficácia ampla; mede segurança. O protocolo envolve número reduzido de voluntários e aplicação direta da substância na área lesionada, pouco tempo após o trauma. Vem a ser o primeiro degrau regulatório, não a aprovação comercial, nem é tratamento disponível no SUS e não há ainda liberação irrestrita: é a ciência entrando, formalmente, na arena clínica.

Patente e investimento

Nas redes sociais, circularam versões de que a pesquisadora teria perdido patente por falta de apoio. O cenário é mais técnico do que emocional. A tecnologia possui registros de propriedade intelectual e conta com parceria para desenvolvimento. A farmacêutica brasileira Cristália participa do processo de viabilização clínica e industrial.

Patentes têm prazo, exigem manutenção financeira e estão sujeitas a estratégias internacionais de mercado. Caso a eficácia clínica seja comprovada, o interesse global será imediato. Trata-se não de uma disputa ideológica, mas científica, regulatória e econômica.

O que está em jogo

Se os ensaios clínicos avançarem com resultados positivos, a polilaminina poderá representar uma das inovações mais relevantes da medicina regenerativa das últimas décadas. Lesões medulares, hoje, têm opções terapêuticas limitadas e recuperação funcional rara e a possibilidade de estimular reconexão neural altera paradigmas.

Mas prudência não é pessimismo. Muitas substâncias promissoras falharam nas fases 2 ou 3 de testes clínicos. Ciência não se consolida por viralização nem por comoção.

Esperança e método

É compreensível que pessoas com paralisia e suas famílias enxerguem na notícia uma fresta de esperança. A emoção é humana. O rigor é obrigatório. O caso da polilaminina expõe duas realidades brasileiras: pesquisadores que persistem apesar das dificuldades estruturais e um ambiente digital que transforma debates técnicos em arena política.

Hoje, o fato concreto é este: há uma molécula desenvolvida ao longo de três décadas, com base científica consistente, que ingressou oficialmente na fase inicial de testes clínicos em humanos. Se confirmará a promessa, só os próximos anos responderão.

Mas, desta vez, não se trata de slogan. Trata-se de ciência brasileira testando seus próprios limites - e desafiando um dos maiores impasses da medicina contemporânea. E isso, por si só, já é notícia.

Papo Reto

Do jornalista Nélio Palheta, direto de Vigia, nordeste do Pará: “Achei escandaloso um município pobre como Vigia contratar - dizem que por R$ 1,5 milhão - show de um DJ chamado Alok (foto) para o carnaval. 

•Ainda que a prefeitura tenha conseguido patrocínio, duvido que a marca tenha investido na Vigia esse valor. Consta ainda que o prefeito obteve emenda parlamentar - não duvido - da deputada Renilce Nicodemos.

O fato é que Vigia, com onze bandas de música, optou por uma festa anódina, sem identidade cultural e sem tradição, transformando o carnaval numa simples esbórnia. 

•Fora o fato da falta de transparência: festa de pão e circo cujos investimentos altíssimos precisam ser investigados. Mas, quede o MP? Quede o TCM? Quede os vereadores?” 

Internauta não perdoa: diz estar com saudades do tempo em que os escândalos na mídia se resumiam à importunação de baleia, cloroquina para ganso, jóias de presente e cartão de vacina...

•Um segundo internauta macetou a Escola de Samba de Niterói, que homenageou Lula na Sapucaí: ela seguiu à risca a cartilha do petismo. Prometeu mundos e fundos, mas não entregou absolutamente nada.

Ah, sim: a OAB do Rio de Janeiro publicou nota contra a Acadêmicos de Niterói, condenando o que classifica de "intolerância religiosa na Sapucaí" durante o enredo pró-Lula.

•Dias Toffoli não tem mais dúvida: foi o presidente Lula que determinou o envio, pela Polícia Federal, de um relatório ao presidente do Supremo Tribunal Federal revelando as suas conexões com Daniel Vorcaro, do Banco Master, disse “O Globo”.

O calhamaço de 200 páginas estarreceu o presidente da Corte, Edson Fachin, pois detalha todas as ligações, mensagens e transações que envolvem direta ou indiretamente o ministro.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.