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EM BELÉM

Pedras que viram "patrimônio" apenas quando vão para o lixo geram comoção

Caso revela algo mais inquietante: um patrimônio tombado nas três esferas de proteção parecia invisível até ser arrancado diante de todos.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 29/05/26 11:00

Pesquisador Miguel Pinho deu o sinal de alerta na rede social - e a cidade despertou indignada com as pedras no lixo/Divulgação.


A


retirada das pedras de lioz da calçada da avenida Nazaré, em frente a uma unidade do Burger King, acabou produzindo um fenômeno raro em Belém: fez a cidade discutir patrimônio histórico fora dos círculos acadêmicos e dos gabinetes oficiais.

 Foi preciso que um pesquisador da sociedade civil expusesse imagens nas redes sociais para que surgissem indignação pública, embargo, multa, manifestação da Prefeitura de Belém na “corrida institucional” atrás das pedras históricas que já estavam dentro de uma caçamba de entulho. O episódio revelou algo ainda mais inquietante: um patrimônio tombado nas três esferas de proteção parecia invisível até ser arrancado diante de todos.

Detalhe urbanístico?

As pedras portuguesas de lioz da avenida Nazaré não são mero detalhe urbanístico. Vieram de Portugal durante a Belle Époque da borracha, carregam valor histórico, simbólico e arquitetônico e ajudam a contar, no chão da cidade, parte da história de Belém. Guardadas as proporções, são para o bairro de Nazaré o que o ferro inglês é para o Ver-o-Peso: marcas materiais de uma época que moldou a identidade urbana da capital paraense.

Mas o caso também escancarou uma contradição que a cidade empurrou para debaixo do tapete durante décadas. As mesmas pedras celebradas como patrimônio são criticadas diariamente por pedestres que reclamam - com razão - do risco de escorregões, da baixa acessibilidade e da dificuldade de manutenção, sobretudo em uma cidade marcada por chuvas intensas quase o ano inteiro.

Para além do fast food

A discussão, portanto, vai além do fast food. Ela toca numa pergunta inevitável: como preservar patrimônio histórico sem transformar a cidade em peça de museu hostil à vida cotidiana?

O problema é que Belém parece nunca ter feito esse debate de maneira séria e pública. Tanto que moradores lembram que, ao longo dos anos, outros trechos de lioz desapareceram discretamente da Nazaré sem provocar comoção semelhante. Desta vez houve barulho porque alguém fotografou, denunciou e viralizou antes que o concreto secasse.

Trancos e barrancos

E talvez esteja aí a principal lição do episódio: a proteção do patrimônio em Belém continua dependendo mais da vigilância ocasional de pesquisadores, historiadores e internautas do que propriamente da presença permanente dos órgãos encarregados dessa missão.

Curiosamente, tudo aconteceu a poucos metros de instituições públicas e até de órgãos ligados à preservação histórica. No fim, as pedras voltaram a ter valor quando apareceram no lixo.

Papo Reto

O TCM aprovou voto da conselheira Ann Pontes (foto) que estabelece as regras para que as prefeituras utilizem recursos do Fundeb no pagamento de salários retroativos devidos a profissionais da educação básica. 

A decisão responde a uma consulta feita pela Prefeitura de Soure e foi baseada em um parecer da diretoria Jurídica do Tribunal.

•Segundo o entendimento da corte, , o uso do Fundo para pagar dívidas reconhecidas pela Justiça é permitido, mas tem caráter excepcional e precisa seguir critérios rígidos para não desfalcar o orçamento do ano.

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC que acaba com a escala 6x1. A proposta reduz a atual jornada de trabalho para 40 horas semanais, com obrigatoriedade de dois dias de descanso sem redução salarial. 

•A proposta agora vai ao Senado, mas enfrentará calendário apertado, marcado por festas juninas, recesso e avanço das articulações eleitorais.

Para virar realidade, a proposta ainda precisará passar pela CCJ, cumprir prazos regimentais e alcançar ao menos 49 votos em dois turnos no plenário. 

•A Polícia Federal e a CGU cumpriram 31 mandados em nova fase da operação que apura descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. 

O senador Davi Alcolumbre promulgou a derrubada de vetos de Lula à LDO de 2026, incluindo o trecho que libera doações de bens e recursos entre entes públicos durante o período eleitoral. 

•O presidente Lula afirmou que o Festival de Parintins dá uma "lição de civilidade" ao País e elogiou a convivência entre torcidas rivais durante o evento cultural no Amazonas.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.