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MERCADO

Pará mira negócios envolvendo petróleo da Guiana, mas ainda exporta pouco

Missão da Fiepa prospecta mercado impulsionado pela Margem Equatorial; vendas para o país vizinho somaram apenas US$ 250,8 mil no primeiro semestre de 2026

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 20/10/26 17:00
Pará mira negócios envolvendo petróleo da Guiana, mas ainda exporta pouco
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indústria paraense quer chegar antes que a corrida por fornecedores se intensifique. Com a expansão da produção de petróleo na Guiana e o crescimento acelerado da economia do país vizinho, representantes do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) estão em Georgetown para mapear oportunidades de negócios e aproximar empresas dos dois lados da fronteira.

 

Para o presidente Alex Carvalho, missão é o passo inicial para ampliar o diálogo e o mercado com o país vizinho/Fotos: Divulgação.

A missão integra o Prospect Guiana 2026, iniciativa preparatória internacional coordenada pela Fiepa. A agenda inclui encontros com a agência guianense de promoção de investimentos Go-Invest Guyana, a Câmara de Comércio de Georgetown, o Ministério da Agricultura e outras instituições públicas e privadas, além de visitas a portos e estruturas empresariais.

O objetivo é conhecer as demandas do mercado local, identificar oportunidades para fornecedores paraenses e estabelecer relações comerciais capazes de aproximar a indústria do Pará das cadeias produtivas que se expandem na Guiana.

Economia e mercado

Impulsionada pela exploração offshore de petróleo, a Guiana se transformou em um dos principais polos de crescimento econômico da região. Segundo dados do Bureau of Statistics guianense citados pela Fiepa, o produto interno bruto do país cresceu 19% em 2025.

A expansão da atividade petrolífera amplia a demanda por máquinas, equipamentos, materiais de construção, insumos industriais, bens de consumo e serviços especializados. É nesse mercado que a indústria paraense pretende encontrar espaço, aproveitando a proximidade geográfica e a experiência acumulada em grandes projetos de mineração, metalurgia, energia e infraestrutura. Mas há um obstáculo evidente: o comércio entre o Pará e a Guiana ainda é reduzido. 

De janeiro a junho de 2026, as exportações paraenses destinadas ao país somaram US$ 250,8 mil, segundo o CIN. O Pará ocupou a 15ª posição entre os estados brasileiros fornecedores da Guiana, tendo o pargo como principal produto exportado.

A distância entre o potencial econômico identificado e o comércio efetivamente realizado ajuda a explicar a iniciativa. A missão busca levantar informações sobre as exigências locais, identificar compradores e compreender como as empresas paraenses podem ingressar em um mercado que demanda cada vez mais produtos e serviços.

Fronteira é vantagem

A ligação terrestre entre Roraima e a Guiana, somada ao acordo de preferências tarifárias em vigor desde 2004, oferece condições para ampliar as relações comerciais. A proximidade, entretanto, não garante negócios: transformar essa vantagem em exportações exige logística eficiente, conhecimento das regras de acesso ao mercado, capacidade de financiamento e competitividade dos fornecedores.

Para o presidente do Sistema Fiepa, Alex Carvalho, a missão representa um primeiro passo para ampliar o diálogo com o mercado guianense e preparar as empresas para atender às demandas relacionadas ao petróleo e a outras atividades que sustentam a expansão econômica do país.

Alex Carvalho afirma que o Pará reúne experiência industrial, estrutura de fornecedores e localização favorável para participar dessas cadeias produtivas. Segundo ele, a intenção é aproveitar a aproximação regional para ampliar a presença das empresas paraenses em projetos que exigem qualidade, segurança e escala de fornecimento.

A aposta não se limita ao petróleo. O crescimento da economia guianense também pode abrir espaço para materiais de construção, infraestrutura, alimentos, equipamentos e serviços destinados a outros segmentos produtivos.

Oportunidade e desafio

A movimentação da Fiepa coloca em evidência uma questão estratégica para o desenvolvimento regional: até que ponto o Pará conseguirá converter a expansão econômica de um país vizinho em contratos, exportações e atividade industrial dentro de suas próprias fronteiras?

A resposta dependerá menos da proximidade geográfica do que da capacidade de as empresas identificarem demandas concretas, cumprirem requisitos técnicos e comerciais e estabelecerem relações duradouras com compradores guianenses.

A Margem Equatorial aparece, nesse cenário, como referência para uma nova etapa de integração econômica regional. O petróleo já movimenta a economia da Guiana; para a indústria paraense, o desafio agora é transformar a oportunidade em negócios efetivos, em vez de assistir de longe ao crescimento do mercado vizinho.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.