Em comício em Ceilândia, presidente critica candidatos que escolhem parentes como suplentes ao Senado
Fala do presidente voltada ao atual momento político em Brasília faz eco em vários Estados, inclusive no Pará/Fotos: Divulgação.
fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comício realizado em Ceilândia, no Distrito Federal, sobre a escolha de familiares para ocupar suplências no Senado repercutiu no Pará, onde algumas chapas também reúnem parentes em posições eleitorais.
“O cara é candidato ao Senado e coloca o filho de suplente, o pai de suplente, a mãe de suplente. Não é possível. Cadê a seriedade política?”
A manifestação ocorreu em meio à disputa pelo Senado no Distrito Federal. Sem citar nomes, Lula criticou candidatas que escolheram familiares como suplentes e, no mesmo ato, pediu votos para Leila Barros e Erika Kokay.
No Pará, a composição das chapas para o Senado apresenta situações semelhantes. O candidato do MDB, Helder Barbalho, tem como primeiro suplente o pai, o senador Jader Barbalho, também do MDB. A informação consta dos dados eleitorais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral e é registrada pela Agência Senado.
A situação chama atenção porque Jader é senador em exercício e disputa, agora como suplente, a chapa encabeçada pelo filho.
No PT, o senador Beto Faro disputa a reeleição, enquanto sua mulher, Dilvanda Faro, concorre novamente à Câmara dos Deputados. O filho do senador, Yuri Faro, vice-prefeito de Bujaru, também disputa uma vaga de deputado federal.
A presença de familiares em diferentes disputas eleitorais não se restringe ao MDB ou ao PT. Na chapa do candidato ao Senado Éder Mauro, do PL, a advogada Alessandra Sá, mulher do deputado, aparece como segunda suplente. O filho de Éder Mauro, Rogério Barra, também disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. A candidatura ocorre no espaço eleitoral anteriormente ocupado pelo pai. São situações distintas, mas que recolocam em discussão a participação de parentes nas chapas eleitorais e a forma como os partidos organizam suas candidaturas.
O parentesco, por si só, não constitui impedimento legal para uma candidatura. No Senado, os suplentes integram a própria chapa e assumem o mandato nas hipóteses previstas pela legislação. A questão levantada por Lula é, portanto, essencialmente política: até que ponto a presença de familiares em candidaturas, suplências e mandatos amplia ou restringe a pluralidade dentro dos partidos.
Feita no Distrito Federal e relacionada ao contexto eleitoral local, a fala do presidente acabou encontrando no Pará exemplos que permitem ampliar a discussão - sem que situações juridicamente distintas sejam tratadas como uma única questão eleitoral.
·A Operação Sonar chegou a Belém com R$ 1,2 milhão em espécie apreendidos, 12 servidores afastados e até R$ 17 milhões em bens bloqueados. A investigação aponta suspeitas de desvio de dinheiro público, licitações direcionadas, propina e lavagem.
·Entre os citados estão agentes da CDP, inclusive uma ex-assessora de comunicação. Há também um preso apontado como operador financeiro de empresa ligada ao presidente da Companhia - e que, por sinal, é seu cunhado. A prisão preventiva acabou revogada por liminar do TRF-1.
·Depois de São Paulo, Salvador e Belo Horizonte, o “Brota, Semente”, do Instituto Marielle Franco, desembarca em Belém neste sábado. Vai discutir democracia, direitos humanos e as eleições de 2026, no Sindicato dos Bancários, no Reduto. A democracia, pelo menos na programação, vem com agenda marcada.
·A FGV chega ao Norte com escritório regional em Belém e a promessa de aproximar governos, empresas e instituições de projetos capazes de transformar potencial amazônico em negócios estruturados. A Amazônia, finalmente, descobriu que também pode exportar reunião.
·A Assembleia Legislativa aprovou projeto da deputada Lívia Duarte que reconhece a obra de Zélia Amador de Deus como patrimônio cultural e imaterial do Pará. A homenagem só veio poucos dias depois da morte da intelectual, segundo a ‘regra’ nacional.
·O problema do STF acordou maior do que entrou no Plenário na última segunda-feira. A vista do ministro Flávio Dino comprou tempo, mas não comprou solução.
·Pela frente estão uma eleição, uma cadeira vazia, uma possível indicação de Lula e uma Corte que pode reencontrar o processo dividido ao meio.
·Até lá, ministros terão de conviver com acusações que não desapareceram quando os microfones foram desligados. O julgamento parou; a crise, evidentemente, não pediu vista.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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