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Lula atira contra "candidaturas em família" e acerta até aliados políticos

Em comício em Ceilândia, presidente critica candidatos que escolhem parentes como suplentes ao Senado

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 18/09/26 09:00

Fala do presidente voltada ao atual momento político em Brasília faz eco em vários Estados, inclusive no Pará/Fotos: Divulgação.


A


fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comício realizado em Ceilândia, no Distrito Federal, sobre a escolha de familiares para ocupar suplências no Senado repercutiu no Pará, onde algumas chapas também reúnem parentes em posições eleitorais.

“O cara é candidato ao Senado e coloca o filho de suplente, o pai de suplente, a mãe de suplente. Não é possível. Cadê a seriedade política?”

A manifestação ocorreu em meio à disputa pelo Senado no Distrito Federal. Sem citar nomes, Lula criticou candidatas que escolheram familiares como suplentes e, no mesmo ato, pediu votos para Leila Barros e Erika Kokay.

O reflexo no Pará

No Pará, a composição das chapas para o Senado apresenta situações semelhantes. O candidato do MDB, Helder Barbalho, tem como primeiro suplente o pai, o senador Jader Barbalho, também do MDB. A informação consta dos dados eleitorais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral e é registrada pela Agência Senado.

A situação chama atenção porque Jader é senador em exercício e disputa, agora como suplente, a chapa encabeçada pelo filho.

No PT, o senador Beto Faro disputa a reeleição, enquanto sua mulher, Dilvanda Faro, concorre novamente à Câmara dos Deputados. O filho do senador, Yuri Faro, vice-prefeito de Bujaru, também disputa uma vaga de deputado federal.

Mas há outros casos

A presença de familiares em diferentes disputas eleitorais não se restringe ao MDB ou ao PT. Na chapa do candidato ao Senado Éder Mauro, do PL, a advogada Alessandra Sá, mulher do deputado, aparece como segunda suplente. O filho de Éder Mauro, Rogério Barra, também disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. A candidatura ocorre no espaço eleitoral anteriormente ocupado pelo pai. São situações distintas, mas que recolocam em discussão a participação de parentes nas chapas eleitorais e a forma como os partidos organizam suas candidaturas.

Uma questão política

O parentesco, por si só, não constitui impedimento legal para uma candidatura. No Senado, os suplentes integram a própria chapa e assumem o mandato nas hipóteses previstas pela legislação. A questão levantada por Lula é, portanto, essencialmente política: até que ponto a presença de familiares em candidaturas, suplências e mandatos amplia ou restringe a pluralidade dentro dos partidos.

Feita no Distrito Federal e relacionada ao contexto eleitoral local, a fala do presidente acabou encontrando no Pará exemplos que permitem ampliar a discussão - sem que situações juridicamente distintas sejam tratadas como uma única questão eleitoral.

Papo Reto

·A Operação Sonar chegou a Belém com R$ 1,2 milhão em espécie apreendidos, 12 servidores afastados e até R$ 17 milhões em bens bloqueados. A investigação aponta suspeitas de desvio de dinheiro público, licitações direcionadas, propina e lavagem.

·Entre os citados estão agentes da CDP, inclusive uma ex-assessora de comunicação. Há também um preso apontado como operador financeiro de empresa ligada ao presidente da Companhia - e que, por sinal, é seu cunhado. A prisão preventiva acabou revogada por liminar do TRF-1.

·Depois de São Paulo, Salvador e Belo Horizonte, o “Brota, Semente”, do Instituto Marielle Franco, desembarca em Belém neste sábado. Vai discutir democracia, direitos humanos e as eleições de 2026, no Sindicato dos Bancários, no Reduto. A democracia, pelo menos na programação, vem com agenda marcada.

·A FGV chega ao Norte com escritório regional em Belém e a promessa de aproximar governos, empresas e instituições de projetos capazes de transformar potencial amazônico em negócios estruturados. A Amazônia, finalmente, descobriu que também pode exportar reunião.

·A Assembleia Legislativa aprovou projeto da deputada Lívia Duarte que reconhece a obra de Zélia Amador de Deus como patrimônio cultural e imaterial do Pará. A homenagem só veio poucos dias depois da morte da intelectual, segundo a ‘regra’ nacional.

·O problema do STF acordou maior do que entrou no Plenário na última segunda-feira. A vista do ministro Flávio Dino comprou tempo, mas não comprou solução.

·Pela frente estão uma eleição, uma cadeira vazia, uma possível indicação de Lula e uma Corte que pode reencontrar o processo dividido ao meio.

·Até lá, ministros terão de conviver com acusações que não desapareceram quando os microfones foram desligados. O julgamento parou; a crise, evidentemente, não pediu vista.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.