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PORTO À DERIVA

Contrabando e risco escancaram falha federal e abandono em Vila do Conde

Com acesso precário, fiscalização frouxa e tragédias, maior porto do Pará opera sob denúncias de irregularidades e ausência de gestão efetiva.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/03/26 08:10
Contrabando e risco escancaram falha  federal e abandono em Vila do Conde
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rotina no complexo portuário de Vila do Conde, em Barcarena, escancara um problema que vai além da infraestrutura: trata-se de um vácuo de gestão federal em área estratégica, com reflexos diretos na segurança pública e na economia.

Dez anos depois do naufrágio do “Haidar”, degradação da estrutura do porto avança e o descontrole aumenta/Fotos: Arquivo.
 Sob responsabilidade da Companhia Docas do Pará, a CDP, vinculada à União, o maior porto do Estado convive com denúncias recorrentes de circulação de cargas suspeitas, incluindo minério de origem irregular e drogas, em meio a um cenário de fiscalização considerada insuficiente.

 Na prática, o que se vê é um fluxo intenso de carretas cruzando o sistema viário portuário - muitas vezes sem o controle rigoroso esperado para uma área de jurisdição federal, o que limita a atuação direta das forças estaduais de segurança.

Rota livre

 A condição de porto federal cria uma zona cinzenta: enquanto a responsabilidade de fiscalização é da União, o Estado assiste, com restrições operacionais, à movimentação de cargas potencialmente ilícitas. Fontes ouvidas pela coluna apontam que a fragilidade no controle de acesso e circulação acaba transformando o complexo em rota sensível para práticas ilegais, com baixa capacidade de resposta imediata por parte das autoridades locais.

 Estradas do caos

 O problema não se limita ao controle. O acesso ao porto é outro gargalo.

A chamada Via Alimentadora, de responsabilidade direta da CDP, apresenta condições precárias de trafegabilidade. Buracos, desgaste do pavimento e ausência de manutenção adequada dificultam o fluxo diário de caminhões e elevam o risco de acidentes.

A via funciona como ligação direta entre a rodovia PA-481 (Transalumínio) e as áreas operacionais do porto - ou seja, é um eixo vital para o escoamento de cargas. Em contraste, a Transalumínio, utilizada inclusive por operações privadas, recebe manutenção regular, o que escancara a diferença de gestão entre o público e o privado dentro do mesmo corredor logístico.

Passivo de dez anos

O histórico de Vila do Conde ajuda a entender o cenário atual. Há dez anos, o naufrágio do navio “Haidar” marcou o porto com um dos episódios mais emblemáticos da região: cerca de 5 mil bois mortos e centenas de toneladas de óleo lançados ao rio. A embarcação segue submersa até hoje.

 Desde então, tentativas frustradas de remoção consumiram milhões de reais, sem solução definitiva. Parte da estrutura portuária foi interditada, e áreas próximas entraram em processo de degradação.

Relatos indicam que berços de atracação apresentam desgaste avançado, enquanto equipamentos como cabeços operam no limite, elevando o risco de um novo acidente de grandes proporções.

 Operação e discurso

 Ao longo dos anos desde o naufrágio, a CDP sustenta que o porto segue operando normalmente e que o naufrágio não compromete as atividades. A companhia afirma ainda que o navio não representa risco ambiental ativo e que o tema da remoção permanece em análise técnica e jurídica.

 Na ponta, no entanto, o que se observa é um ambiente de estrutura fragilizada, acesso comprometido e controle questionado. O caso de Vila do Conde reúne, no mesmo ponto, três fatores críticos: infraestrutura deteriorada, fragilidade na fiscalização e circulação de cargas sensíveis em área federal. A combinação transforma o porto em um ponto de atenção não apenas logístico, mas também de segurança institucional.

 No Pará, o problema dos portos deixou de ser apenas administrativo.

Hoje, é questão de controle. Se o controle falha, sobretudo em território federal, o que passa não é só carga; é o risco.

Papo Reto

Dito e feito. O advogado Jarbas Vasconcelos (foto) é o mais novo membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.

 • O Instituto anunciou, além dele, que as duas outras vagas são do padre João Paulo de Mendonça Dantas, e da mestra em Geografia, Shirley Capela Tozi.

 • O que ninguém entendeu: Michel Pinho, conhecido historiador em Belém, reconhecido em nível nacional, se candidatou a uma das três vagas, mas não foi eleito.

 •O clima esquentou na nova rua da Marinha, na Marambaia.  A tentativa de ocupação das laterais da nova da recém inaugurada mobilizou supostos donos, de um lado - familiares dos antigos ocupantes da área - e moradores do Conjunto Médici, de outro.

Entre os ocupantes originais está o pai da primeira dama de Soure, esposa do prefeito Paulo Vitor Lima, filho do deputado estadual Iran Lima, do MDB.

 •É justamente no Médici II que residem magistrados e coronéis - daí que a PM foi acionada, retirou piquetes e isolou área, onde mantém plantão 24 horas.

 •O senador Fabiano Contarato chamou de "interferência grave" a decisão do ministro Gilmar Mendes de anular a quebra de sigilo do fundo Arleen.

 •Já o senador Márcio Bittar sugeriu que o Senado deixe as sabatinas de indicados ao STF para 2027, com uma nova composição da Casa.

A Câmara lançou a playlist "200 Brasis" em celebração ao bicentenário. O projeto colaborativo reúne clássicos da MPB e ritmos regionais para exaltar a cultura nacional e os valores democráticos.

 •Cinco anos depois de acusar Bolsonaro de tentar usar a PF para proteger familiares e ser chamado por Flávio de "mentiroso" e "traidor", o senador Sérgio Moro deve trocar o União pelo PL. O mundo não gira, capota.

 O CEO do Banco C6 Consignado, Artur Azevedo, negou irregularidades nas operações de crédito consignado, mesmo após questionamentos sobre a suspensão do acordo com o INSS.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.