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JUDICIÁRIO

CNJ revê questão dos "penduricalhos", mas mantém parcelas sob um novo formato

Decisão unânime ajusta verbas ao entendimento do STF, porém preserva nove itens que seguem gerando controvérsia.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 24/04/26 17:00
CNJ revê questão dos
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decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), aprovada por unanimidade e divulgada nesta semana, redesenha o tratamento das chamadas verbas indenizatórias no Judiciário. O movimento foi apresentado como alinhamento às diretrizes do Supremo Tribunal Federal sobre o teto constitucional, mas, na prática, manteve um conjunto de parcelas que continuam fora do limite remuneratório, ainda que sob nova formatação.

Especialistas avaliam que controvérsia permanece na definição do que de fato configura verba indenizatória/Fotos: Divulgação.
O tema, popularizado como “penduricalhos”, envolve pagamentos adicionais que, por sua natureza indenizatória, não são contabilizados no teto. A revisão conduzida pelo CNJ buscou padronizar critérios e reduzir distorções, diante de decisões recentes do STF que vêm restringindo a ampliação dessas verbas.

Ajuste formal

Na deliberação, o CNJ revisou rubricas, redefiniu parâmetros e indicou a necessidade de maior controle sobre a concessão de benefícios. O voto condutor enfatiza a compatibilização com o entendimento do STF, que tem reforçado a impossibilidade de utilização de verbas acessórias para contornar o teto constitucional.

Ainda assim, o Conselho preservou nove tipos de parcelas classificadas como indenizatórias. A manutenção dessas rubricas, mesmo com novos critérios, sustenta a leitura de que houve ajuste relevante na forma, sem ruptura integral no conteúdo.

Zona cinzenta

Especialistas em direito público ouvidos pela coluna apontam que o núcleo da controvérsia permanece na definição do que, de fato, configura verba indenizatória. É essa distinção que determina a incidência - ou não - do teto constitucional.

A decisão não elimina essa zona de incerteza. Ao manter parcelas fora do teto, o CNJ reconhece a complexidade do tema e a dificuldade de uniformização entre tribunais.

Efeito da medida

Na prática, todos os tribunais do País deverão revisar atos internos, reclassificar pagamentos e ajustar rotinas administrativas. A tendência é de redução de excessos mais evidentes, mas não de eliminação completa das verbas adicionais.

Para magistrados, o impacto será heterogêneo, conforme a estrutura remuneratória de cada tribunal. Para órgãos de controle, a decisão oferece parâmetros mais claros - ainda que não definitivos - para fiscalização.

Pará no radar

No Pará, o tema já vinha sendo acompanhado de perto em meio a debates sobre remuneração no Tribunal de Justiça. Discussões recentes envolveram a composição de ganhos e a aderência ao teto constitucional, com manifestações públicas e análises técnicas buscando enquadramento às diretrizes nacionais. A decisão do CNJ tende a servir de referência para eventuais ajustes locais, sobretudo na classificação de verbas indenizatórias e na transparência dos critérios adotados.

A discussão sobre “penduricalhos” é marcada por sucessivas decisões e ajustes normativos. O STF tem sinalizado restrição a mecanismos que ampliem remuneração acima do teto por vias indiretas. O CNJ, por sua vez, atua na regulamentação administrativa, traduzindo esse entendimento em regras operacionais para os tribunais.

O resultado é um equilíbrio entre contenção e viabilidade administrativa - com margem de interpretação ainda presente.

Transparência em foco

Outro ponto reforçado é a necessidade de publicidade. O CNJ determinou maior transparência na divulgação das verbas e dos critérios utilizados, em linha com cobranças de órgãos de controle e da sociedade. A medida busca reduzir o desgaste institucional em torno do tema, frequentemente associado à divulgação de remunerações acima do teto.

A nova diretriz organiza o sistema, mas não encerra a controvérsia. A manutenção de parcelas indenizatórias fora do teto indica que o debate deve continuar, seja no próprio CNJ, seja no STF.


Papo Reto

Em tema que repercutiu no feriado, o ministro Flávio Dino (foto) defendeu a abertura de um novo ciclo de reforma do Judiciário, 22 anos após a Emenda 45. 

•A proposta ganhou peso político imediato com o apoio de Edson Fachin, que disse ver na agenda uma reflexão oportuna sobre eficiência, transparência e confiança pública nas instituições. 

•A proposta de reforma do Judiciário apresentada por Flávio Dino carrega uma singularidade que merece nota. Vem de um ministro da Suprema Corte, mas não de um neófito na vida pública. 

•Ao contrário, traz na bagagem a experiência de quem já percorreu o Executivo, como governador, e o Legislativo, como deputado e senador. 

Não se cogita, propriamente, de vício de origem. A reflexão é outra, mais sutil. Reformas constitucionais dessa envergadura têm endereço institucional bem delineado. 

•A Constituição é clara ao indicar os legitimados para propor emendas, e não por acaso. Daí que a iniciativa, embora intelectualmente relevante e politicamente lastreada por uma trajetória plural, convida à lembrança de um princípio elementar. 

No desenho constitucional, forma também é substância. E, em matéria de emenda, o caminho importa tanto quanto o destino.

•Hugo Motta indicou Zé Trovão para relatar a MP do Frete. A escolha coloca no centro da discussão sobre o piso mínimo um deputado que foi um dos rostos da greve dos caminhoneiros de 2018 e que agora conduzirá o texto na Câmara. 

PT fluminense aprovou por unanimidade o apoio a Eduardo Paes na disputa pelo governo do Estado e confirmou Benedita da Silva para o Senado. 

•Geraldo Alckmin trocou o comando do Ministério do Empreendedorismo durante o exercício interino da Presidência. Sai Tadeu Alencar, entra Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ex-presidente do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito do Largo S. Francisco.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.