Encontro em Brasília reuniu empresários e três pré-candidatos ao Planalto; infraestrutura, juros, estabilidade e redução do Custo Brasil dominaram o debate
m um dos primeiros encontros entre o setor produtivo e os nomes que se movimentam para a sucessão presidencial de 2026, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu ontem, 22, em Brasília, empresários e representantes das federações estaduais para discutir os rumos da economia brasileira. Participaram do evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis” os pré-candidatos Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) participou do encontro e teve seu presidente, Alex Carvalho, entre os dirigentes escolhidos para formular perguntas aos presidenciáveis. Um dos questionamentos tratou das políticas fiscal e monetária e dos caminhos para recuperar a confiança dos investidores e estimular o crescimento.
Ao responder, Romeu Zema defendeu uma política econômica baseada no equilíbrio das contas públicas e na redução estrutural dos juros. Segundo ele, as atuais taxas funcionam como um “freio de mão puxado” para a economia.
“O Brasil está crescendo menos que o mundo e corre o risco de se tornar menos relevante. Precisamos de juros civilizados para que empresas possam investir e famílias possam consumir”, afirmou. O governador mineiro também defendeu maior participação de representantes do setor produtivo na política e redução dos gastos públicos.
Durante o encontro, o presidente da CNI, Ricardo Alban, entregou aos pré-candidatos o documento “Construindo o Brasil 2050”, que reúne mais de 300 páginas de propostas voltadas ao crescimento econômico, aumento da produtividade e redução do chamado custo Brasil.
A publicação está estruturada em três eixos centrais: crescimento sustentado, fortalecimento do desenvolvimento produtivo e ampliação da competitividade.
Segundo a CNI, o País precisará elevar sua produtividade, atrair investimentos e criar um ambiente mais favorável à inovação para manter a capacidade de crescimento nas próximas décadas.
Um dos principais pontos do documento é a infraestrutura de transportes, considerada pela indústria um dos maiores entraves à competitividade nacional. A entidade defende a diversificação da matriz de transporte, com maior participação de ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem, reduzindo a dependência do modal rodoviário.
O documento apresenta 12 propostas para o setor, incluindo ampliação das concessões privadas, modernização da gestão portuária, expansão da infraestrutura para contêineres e retomada de obras paralisadas.
Presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI e da Fiepa, Alex Carvalho afirmou que os custos logísticos continuam entre os fatores que mais prejudicam a competitividade brasileira. “Infraestrutura deficiente eleva custos, encarece produtos e reduz a capacidade competitiva da indústria. A modernização do setor é fundamental para aumentar o bem-estar das famílias e impulsionar o crescimento do país”, afirmou.
A indústria também defende que a infraestrutura seja tratada como política de Estado, com continuidade e previsibilidade para atrair investimentos de longo prazo.
Outro tema recorrente foi a necessidade de ampliar a segurança jurídica.
Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma oportunidade favorável para atrair investimentos, mas advertiu que a instabilidade regulatória continua afastando projetos.
“Como alguém faz um plano de negócios para dez anos se tudo muda em uma canetada? Precisamos recuperar a confiança, simplificar a legislação e reduzir o Custo Brasil”, disse. O senador também defendeu mais investimentos em pesquisa, inovação e integração entre universidades e o setor produtivo.
Último a falar, Ronaldo Caiado sustentou que a retomada da confiança dos investidores depende da preservação das reformas econômicas e da estabilidade institucional. “Precisamos de um governo capaz de dar continuidade às reformas. Quando as regras mudam constantemente, os investimentos deixam de acontecer”, afirmou.
Caiado também destacou a importância do equilíbrio fiscal, do controle da inflação e da redução gradual dos juros para estimular a atividade produtiva.
Realizado a cada quatro anos, o encontro da CNI busca aproximar os candidatos à Presidência das demandas do setor industrial. A mensagem levada aos presidenciáveis foi clara: sem segurança jurídica, infraestrutura adequada e previsibilidade econômica, o país continuará esbarrando nos mesmos obstáculos que há décadas limitam sua competitividade.
•Davi Alcolumbre negou ter recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em conta no exterior, conforme divulgado pela revista Veja.
•Em duro discurso no Plenário, classificou a acusação como falsa e afirmou que buscará acesso ao acordo de colaboração citado na reportagem.
•A Câmara Federal aprovou de forma unânime criação da política nacional de inclusão de pessoas diagnosticadas com transtornos de neurodesenvolvimento, como o TDAH e a dislexia.
•O Senado aprovou criação da primeira Universidade Federal do Esporte, voltada à formação, pesquisa e desenvolvimento de políticas ligadas à atividade esportiva.
•A Câmara aprovou proposta que garante atestado a trabalhadores que precisarem acompanhar crianças em consultas médicas ou tratamentos de saúde.
•Congresso aprovou projeto que torna Salvador sede simbólica do governo federal no dia 2 de julho, data que marca a consolidação da Independência do Brasil na Bahia.
•Presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química, André Passos, afirmou que o ambiente eleitoral tem dificultado a adoção de medidas de defesa comercial para proteger a indústria nacional.
•O presidente da Abiquim destacou que a química está por trás de produtos que vão desde roupas até acessórios, como óculos. André Passos cobrou melhorias para o setor que desempenha papel estratégico em áreas ligadas à inovação, à segurança e à qualidade de vida.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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