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COPA DO MUNDO

Chegou a hora da "onça beber água" para Seleção de Carlos Ancelotti

Gigantes ficaram pelo caminho, favoritos cambaleiam e o Brasil chega às oitavas crescendo como equipe. A Copa entra na fase em que camisa pesa, mas futebol decide.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 05/07/26 12:00
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oda Copa do Mundo produz surpresas. Esta resolveu exagerar. Antes mesmo da reta decisiva, seleções acostumadas a disputar títulos ficaram pelo caminho. A Alemanha caiu cedo. O Uruguai também. Outras potências sobreviveram, mas sem convencer plenamente. A Inglaterra alternou bons momentos com atuações burocráticas. A Argentina precisou sofrer muito mais do que imaginava para superar um adversário tecnicamente inferior e seguir viva.

 

Carlo Ancelotti transforma ausências, reorganiza equipe sem abrir mão de jogo e acende as esperanças do torcedor brasileiro/Fotos: Divulgação.

Eis o retrato de um Mundial em que a diferença entre classificação e eliminação passou a caber em um detalhe. O futebol voltou a ensinar que tradição ajuda, mas não ganha jogo.

Brasil em evolução

Nesse ambiente de equilíbrio, o Brasil parece ter encontrado justamente aquilo que lhe faltava nos últimos anos: identidade.

Carlo Ancelotti assumiu uma Seleção cercada de dúvidas, perdeu jogadores importantes antes mesmo da convocação e ainda viu o elenco ser desfalcado durante a competição, casos de Raphinha e Lucas Paquetá. Em vez de transformar as ausências em justificativa, Mister reorganizou a equipe sem abrir mão da ideia de jogo.

A Seleção passou a defender melhor, atacar com mais critério e controlar emocionalmente as partidas. Ainda não é um time de espetáculo permanente, mas já transmite uma sensação que o torcedor brasileiro não experimentava havia algum tempo: segurança.

O crescimento foi gradual, sem sobressaltos, exatamente como costuma trabalhar o treinador italiano.

A fleuma italiana

Talvez a maior contribuição de Ancelotti nem esteja na parte tática. Sua principal marca parece ser a tranquilidade que conseguiu transmitir ao grupo. Enquanto outras seleções demonstram ansiedade diante da pressão de uma Copa, o Brasil joga sem pressa, sem desespero e sem o peso de precisar resolver tudo em poucos minutos.

Essa serenidade pode fazer enorme diferença justamente agora, quando a margem para erro praticamente desaparece. Em mata-mata, equilíbrio emocional costuma decidir tanto quanto talento.

Respeito é preciso

Isso não significa caminho livre rumo ao título. México, Marrocos, Inglaterra, Espanha e França continuam reunindo qualidade suficiente para levantar a taça. Todas possuem jogadores capazes de decidir uma partida em um único lance. Mas esta Copa já deixou um ensinamento: favoritismo é uma palavra que perdeu boa parte do valor. Um erro de arbitragem, uma bola parada, uma expulsão ou uma disputa por pênaltis têm sido suficientes para desmontar qualquer prognóstico. Nunca tantos favoritos pareceram tão vulneráveis.

Hora da verdade

O Brasil chega à fase decisiva sem carregar o peso de ser tratado como o único candidato ao título, mas já integra, com méritos, o grupo das seleções mais consistentes do torneio. Curiosamente, isso aconteceu quando deixou de depender apenas do brilho individual e passou a funcionar como equipe.

A partir de agora, a Copa entra no território onde os grandes campeões costumam aparecer. É a fase em que não basta jogar bonito; é preciso saber sofrer, resistir e aproveitar o momento certo.

E, até aqui, poucas seleções demonstraram aprender essa lição tão rapidamente quanto o Brasil de Carlo Ancelotti. Afinal, como ensina a velha máxima do futebol, chegou a hora em que a onça vai beber água.

Papo Reto

A Estrada do Maguari permanece interrompida há pelo menos três meses. Enquanto a solução não aparece, o atual prefeito, Hugo Athayde (foto), manda capinar, mas não altera a paisagem. Morador prefere máquina trabalhando a foto de manutenção.

•O prefeito Igor Normando reduziu para dez salários mínimos o limite das RPVs. Quem tiver crédito acima desse valor entra na longa fila dos precatórios. O caixa agradece; o credor espera.

A Beija-Flor aterrissa em Belém no dia 15 de agosto para escolher sambas que disputarão o enredo sobre a pajé Zeneida Lima. A Aldeia Cabana será palco de um pedaço do Carnaval carioca.

•O Brasil fechou 2025 com mais de 90% da população conectada à internet. Nunca estivemos tão próximos virtualmente. Pena que isso nem sempre reduza as distâncias no mundo real.

Prepare-se para misturar letras e números. A partir de 31 de julho, a Receita Federal passa a emitir CNPJs em formato alfanumérico. A burocracia continua a mesma; muda apenas a combinação.

•Se você acha que trabalhar em escritório fechado é complicado, a Nasa procura voluntários para viver isolados simulando missões espaciais. Tem gente que vai chamar isso de emprego dos sonhos.

O Brasil superou o patamar de 90% de pessoas conectadas à internet pela primeira vez, atingindo a marca histórica de 168,7 milhões de usuários no fim de 2025, segundo o IBGE.

•A partir de 31 de julho, a Receita Federal passará a emitir o novo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica no formato alfanumérico. Os novos cadastros combinarão letras e números, porém manterão o total de 14 caracteres.

A Nasa recruta voluntários para simular missões espaciais. O programa da agência prevê isolamento em habitats e testes de rotina que ajudam a preparar tecnologias e equipes para exploração espacial.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.