Expansão das apostas online altera hábitos de consumo, preocupa especialistas e já é apontada como fator de endividamento.
s apostas esportivas deixaram de ser uma curiosidade de internet para se transformar em um fenômeno econômico e social. O crescimento acelerado das chamadas bets movimenta bilhões de reais por ano e começa a chamar a atenção de economistas, bancos e órgãos de controle, preocupados com os efeitos do novo hábito sobre o orçamento das famílias brasileiras.

O avanço das bets já é objeto de preocupação entre especialistas em finanças pessoais e saúde mental. Relatos de endividamento e comprometimento da renda familiar tornaram-se mais frequentes. Em alguns casos, o dinheiro destinado a despesas básicas acaba sendo consumido pela expectativa de recuperar perdas anteriores.
Estudos e levantamentos recentes também indicam a participação de pessoas de baixa renda nesse mercado, inclusive beneficiários de programas sociais. O fenômeno levou o governo federal a apertar as regras do setor e a reforçar mecanismos de fiscalização sobre as empresas autorizadas a operar no País.
Outro aspecto que chama atenção é a presença maciça das casas de apostas em transmissões esportivas, redes sociais e patrocínios de clubes. A exposição constante contribui para naturalizar uma atividade que, embora legalizada e regulamentada, envolve riscos financeiros conhecidos. Especialistas defendem regras mais rígidas para a publicidade e campanhas de conscientização semelhantes às adotadas em relação ao consumo de álcool e tabaco.
Enquanto o setor comemora faturamento crescente, cresce também a dúvida sobre os efeitos dessa nova indústria sobre a economia real. Dinheiro que deixa de circular no comércio, famílias mais endividadas e uma geração exposta à cultura do ganho imediato formam um cenário que ainda está longe de ser plenamente compreendido.
No Brasil, onde a esperança muitas vezes chega antes da prosperidade, as apostas parecem vender a ilusão de um atalho. E, como quase todo atalho, podem acabar levando a destinos bem mais longos e custosos do que a propaganda promete.

•Dois fatos chamaram atenção em uma festa realizada no bairro da Terra Firme, que foi encerrada abruptamente e em meio à confusão, na madrugada de domingo, 21.
•A primeira é que policiais militares, depois de diversas denúncias à perturbação do sossego, compareceram ao local para orientar os participantes e solicitar a redução do volume do som.
•Os frequentadores, porém, teriam continuado a festa e os militares retornaram. Imagens de câmeras mostram a truculência da PM, que derrubaram mesas, copos e garrafas de bebidas ao chão, além de gritar com as pessoas e intimidá-las.
•A segunda são as imagens que mostram banners com fotos dos patrocinadores da festa: deputada federal Andréia Siqueira (foto), do PSB, deputado estadual Nilton Neves, do PSD, e o vereador Túlio Neves, do PSD.
•Esse tipo de campanha, exibindo o patrocínio em período de campanha eleitoral, não costuma ser admitido pela Justiça Eleitoral, mas...
•Este ano, o Brasil caiu 7 posições no ranking global da competitividade, passando a ocupar o 65° lugar na lista que avalia 70 nações.
•Os analistas da Fundação Dom Cabral citam o alto custo de capital e a educação básica precária como os grandes vilões dessa história.
•Com 75 milhões de pessoas inadimplentes em maio, o consumo das famílias recuou de novo no Brasil, diz o IBGE.
•A "verdade verdadeira" que a grande mídia se recusa a revelar é que os juros elevados e a inflação disparada dificultam o pagamento de dívidas e travam a economia nacional.
•O endividamento recorde passou a tirar o sono também dos produtores rurais, que acumulam hoje dívidas de R$256 bilhões.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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