Alerta extremo da Defesa Civil quase derruba população de Belém da cadeira Tribunal de Justiça do Pará confirma 8 advogadas na disputa por vaga do TRE Ministro do STJ Marco Buzzi é acusado de assédio sexual contra jovem de 18 anos
AVISO QUE ASSUSTA

Alerta extremo da Defesa Civil quase derruba população de Belém da cadeira

Sem alerta prévio, Belém foi surpreendida pela combinação chuva forte, maré alta e improviso; ontem, o aviso causou espanto.

  • 163 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 05/02/26 12:00

Prefeito de Belém repete discurso dos antecessores ao longo das últimas décadas; para a população, o alerta da Defesa Civil é mais incômodo/Fotos: Divulgação.


T


arde de segunda-feira, dia 2. A população não esperava o aguaceiro que se abateu sobre a cidade, deixando Belém literalmente no fundo. Os pontos “tradicionais” de alagamento - Belém tem dessas coisas - não decepcionaram. E a cena se repetiu: ruas submersas, trânsito paralisado e o prefeito Igor Normando calçando botas, à moda Sahid Xerfan, ex-prefeito, para ir às ruas repetir a velha ladainha sobre o “tamanho da chuva”.

Curiosamente, não houve, naquele dia, qualquer aviso prévio da Defesa Civil. Nada de alerta extremo, nada de sirene digital invadindo celulares. A chuva veio sem cerimônia - e a cidade, como de costume, estava despreparada.

Na quarta-feira, 4, o cenário foi outro. Mesmo habituada aos humores do inverno amazônico, a população reagiu menos à chuva e mais ao estridente alerta sonoro disparado pela Defesa Civil. Todos os celulares foram tomados pelo aviso de “chuvas intensas, risco de vendaval e alagamentos”. Um susto coletivo. Na segunda-feira, quando Belém afundou, o alerta não veio.

“Maior que grande”

A justificativa do prefeito foi a de sempre: “Belém teve a maior chuva dos últimos cinco meses: 62 milímetros em uma hora. Estou nas ruas com as equipes da Defesa Civil e da Zeladoria. Vamos continuar trabalhando para reduzir os impactos da chuva”.

As imagens mostravam o prefeito em meio à enchente, na esquina da rua dos Mundurucus com a avenida Alcindo Cacela, exibindo bueiros sendo desobstruídos. A pergunta, porém, ficou no ar: só agora? De novo? Fevereiro já começou, a cidade está em pleno inverno amazônico, com chuvas torrenciais combinadas a marés altas. Só agora a prefeitura - e sua zeladoria - iniciou a limpeza dos bueiros?

Na madrugada da própria quarta-feira, a maré alta chegou a 3,43 metros, voltando a provocar alagamentos em diversos bairros. O volume de água escancarou problemas antigos - inclusive na nova Doca, que se mostrou impotente diante da pressão da maré.

Barulho extremo

O sistema de alerta não é novidade. Em setembro do ano passado, a Defesa Civil testou o aviso sonoro em milhares de celulares da Região Metropolitana de Belém, num sábado com previsão de chuva forte. O modelo segue o padrão usado em cidades como o Rio de Janeiro: som alto, invasivo, impossível de ignorar - nem mesmo no modo silencioso.

Na quarta-feira, o aviso dizia: “Alerta extremo. Defesa Civil: alerta severo. Chuvas intensas, risco de vendaval e alagamento. Evite sair e fique em local seguro. Em caso de emergência, ligue 193”.

O efeito foi imediato - e exagerado.

Nas redes sociais, o susto virou meme. “Mortes por chuva: zero. Mortes por infarto por causa do alerta: mais de 100 mil”, ironizou um internauta. Outro relato veio de dentro de uma sessão no Cine Líbero Luxardo: “Todo mundo levou um susto. O alerta disparou em Belém e Ananindeua ao mesmo tempo”.

O sistema ignora qualquer tentativa de silêncio. O som é acionado automaticamente, justamente para garantir alcance máximo. Funciona. Mas assusta.

Deu a louca...

As críticas se multiplicaram. “Engraçado: em dia de chuva fraca, disparam o alerta. No dia em que Belém foi ao fundo, não veio nada”, comentou um morador. Outro foi mais ácido: “Têm que justificar os milhões gastos. O gestor da Defesa Civil deve ter visto isso nos EUA, onde tem tornado, e resolveu copiar para a terra dos curumins”.

Um jornalista quase teve consequências mais sérias. Com o celular conectado ao som do carro, levou um susto monumental: “Achei que era pane no veículo. O barulho foi ampliado e quase parei o carro no susto”.

“Foi a primeira vez que vi isso em Belém. É muito alto. Aqui no trabalho, três celulares começaram a gritar ao mesmo tempo”, relatou outra pessoa.

Entre a falta de aviso quando mais se precisava e o exagero quando veio, ficou claro que o problema não é a chuva. É a velha incapacidade de Belém - e de seus gestores - de lidar com algo que cai do céu todo ano.


Papo Reto

•A educação pública do Estado se mobiliza hoje por conta dos salários congelados desde 2023. O grupo magistério está com a remuneração de 2025 e 2026 em atraso, com percentual de defasagem de 6,27%.

Este ano, o governo do Pará ainda não deu posição sobre os 5,4% anunciados pelo MEC para atualização dos salários no País e     a cobrança bate à porta do secretário Ricardo Sefer (foto)

•São apontados também problemas com o sistema de lotação dos professores, mesmo com as ponderações do Sindicato. A manifestação começa às 9 horas, em frente à sede da Seduc, na Augusto Montenegro.  

A CPMI do INSS pode recorrer à condução coercitiva caso o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não compareça ao depoimento adiado de ontem para 26 de fevereiro.

• A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado instalou uma subcomissão para apurar as fraudes do Banco Master, coordenada por Renan Calheiros.

A Justiça Federal suspendeu a exigência do imunizante de covid-19 para matrícula na Universidade Federal de Santa Catarina, exigida para todos os estudantes da instituição desde 2022.

•A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis autorizou a Petrobras a retomar perfuração na Foz do Amazonas, paralisada no início do ano por conta de um vazamento de fluido de perfuração

Plataforma criada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná vai qualificar o uso da cannabis medicinal no SUS com base em dados clínicos.

•A meta é criar um ambiente seguro que consolide dados clínicos, apoiar a prescrição assistida e oferecer suporte clínico a terapias com canabinóides.

Pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram um meio de “desativar” permanentemente genes responsáveis pelo desenvolvimento do câncer.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.