Hana tenta impor ferrolho para travar o orçamento no novo governo do Estado Desembargador que conduz destinos do lixo em Belém pode ser presidente do TJ Imunizante contra malária produzido no Brasil deve mudar realidade na Amazônia
MAIS DINHEIRO, MENOS ALUNO

Universidade pública perde preferência, orçamento cresce e vagas ficam vazias

Debate nas redes sociais sobre as universidades pode até render curtidas, mas os números encerram a discussão sem necessidade de torcida.

  • 1342 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 18/02/26 12:00
Universidade pública perde preferência, orçamento cresce e vagas ficam vazias
O


ensino superior brasileiro já fez sua escolha - e ela passa longe do discurso oficial. Dados do IBGE mostram que cerca de 80% dos universitários do País estão matriculados em instituições privadas. As públicas concentram pouco mais de 20%. Entre os calouros, a diferença é ainda maior: quase nove em cada dez ingressam no setor privado, impulsionados sobretudo pelo ensino a distância.

Levantamento aponta que apenas 15,6% das matrículas estão em instituições públicas; rede privada responde por mais de 84%/Fotos: Arquivo.

Pará não foge à regra

No Pará, o cenário é ainda mais concentrado. Levantamentos do Inep e do Semesp indicam que apenas 15,6% das matrículas estão em instituições públicas. A rede privada responde por mais de 84%. Na prática, para cada aluno em universidade pública no Estado, há cerca de quatro em instituições privadas. A exceção virou regra.

É nesse contexto que a situação da Universidade do Estado do Pará chama atenção - não como reflexo, mas como agravamento do cenário. Nos últimos anos, a universidade ampliou de forma consistente o número de repescagens para preencher vagas ofertadas. Em 2025, mais da metade das vagas precisou de chamadas subsequentes. Em cursos historicamente disputados, passaram a sobrar lugares.

Em 2026, o dado é ainda mais sensível: apenas cerca de 25% das vagas foram ocupadas na matrícula inicial. O restante depende da maior repescagem já registrada pela instituição.

Conta que não fecha

O contraste fica mais evidente quando se observa o orçamento. Entre 2023 e 2026, os recursos destinados à Uepa cresceram cerca de 18%, ultrapassando R$ 570 milhões anuais.

Na conta mais conservadora, cada aluno mantido pelo Tesouro estadual custará algo em torno de R$ 2.200 por mês em 2026. Educação pública custa caro - e deve custar. O problema é pagar mais e atrair menos.

Demanda versus escolha

Os dados indicam que candidatos não faltam. As inscrições se mantêm relativamente estáveis. O que despenca é a escolha final. Cada vez mais aprovados optam por outras instituições, públicas ou privadas, e deixam a Uepa para depois - quando não descartam de vez.

Universidades não perdem alunos em massa por acaso. Quando isso acontece, a causa raramente está no vestibular.

Silêncio que pesa

Com orçamento crescente e vagas vazias, o debate deixa de ser acadêmico e passa a ser administrativo. Estrutura, gestão, serviços e credibilidade entram no centro da discussão.

Universidade pública não se mede apenas pelo valor aprovado na lei orçamentária, mas pela capacidade de ser escolhida. Quando o aluno vira as costas, o problema não é de marketing - é de confiança. E confiança, quando se perde, não se recompõe por repescagem.

Papo Reto

•A cantora Valesca Popozuda (foto), que seria a maior atração do CarnaBelém no Complexo Ver-o-Rio, passou perrengue na noite de segunda-feira, 16, quando o show dela foi interrompido após uma pane nos equipamentos eletrônicos. 

•A Prefeitura de Belém se apressou em dizer que a situação foi rapidamente controlada, mas Valesca ficou no palco por apenas 40 minutos. 

•A cantora foi retirada do palco pelo Corpo de Bombeiros e voltou mais tarde, mas apenas para se despedir dos foliões.

•As pessoas que foram à Ilha de Cotijuba neste carnaval reclamam da situação precária das vias que levam às praias e pousadas mais disputadas. 

•Lama, água e muitos buracos sacodem os foliões e motonetas que se atrevem a fazer o trajeto. Outro problema que se vê logo ao chegar são os vários monturos de lixo espalhados por toda a ilha.

• Estudo do Dieese aponta que os oito municípios da Grande Belém -Castanhal, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara, Santa Isabel, Benevides e Barcarena – são responsáveis por 40% da mão de obra com carteira assinada no Estado, em números redondos.

•Os demais municípios absorveram 60% da mão de obra nos setores de serviços, comércio e indústria, respectivamente.

•Fernando Haddad afirmou que o Brasil tem um dos piores sistemas tributários do mundo, segundo o Banco Mundial, e disse que a reforma aprovada pode transformar o País em referência global em transparência e digitalização. 

•Haddad afirmou que a fraude bilionária no Banco Master deixou pouca margem de ação às autoridades e defendeu reformas para fortalecer o arcabouço regulatório e evitar novos episódios semelhantes.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.