Hana tenta impor ferrolho para travar o orçamento no novo governo do Estado Desembargador que conduz destinos do lixo em Belém pode ser presidente do TJ Imunizante contra malária produzido no Brasil deve mudar realidade na Amazônia
BOI, PODER E CUSTÓDIA

Senado reabre ferida sobre apreensões no Estado e disputa com Ibama e Adepará

Comissão tenta abrir a porteira para esclarecer o que e quem afinal responde pelo sumiço de centenas de cabeças de gado apreendidas no Pará.

  • 1153 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 04/03/26 14:00
Senado reabre ferida sobre apreensões no Estado e disputa com Ibama e Adepará
A


Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado promove logo mais audiência pública para discutir os procedimentos do Ibama na apreensão, guarda e destinação de gado durante operações ambientais na Amazônia - com foco direto no Pará.

 

Ano passado, presidente do Ibama afirmou que, após a apreensão, responsabilidades pela custódia dos animais passa para o Estado/Fotos: Divulgação.

O estopim é a operação “8 Segundos”, ocorrida em Uruará. Das 337 cabeças apreendidas, apenas 180 retornaram aos proprietários após decisão judicial. O restante virou ponto de interrogação: Mortes? Desaparecimento? Falhas de registro? Alienação antecipada?

A conta não fecha. E, quando não fecha no campo, sobe para Brasília.

Jogo que veio à tona

O debate não começou agora. No ano passado, em audiência no Congresso Nacional, o presidente do Ibama afirmou que, após a apreensão, a responsabilidade pela custódia dos animais passa ao órgão sanitário estadual. No Pará, isso significa a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará, a Adepará.

A declaração abriu um flanco político. Produtores rurais passaram a acusar a Agência de falhas graves na guarda do rebanho, mencionando suposto “descaminho” de animais sob custódia pública e até venda clandestina - acusações que, se comprovadas, configurariam ilícitos administrativos e penais.

A Adepará nega irregularidades e sustenta que atua conforme protocolos sanitários e determinações formais, assumindo a guarda quando oficialmente designada. O problema é que, no meio desse empurra-empurra institucional, o boi continua sem CPF administrativo claro.

Segurança sob tensão

O presidente da Comissão, senador Zequinha Marinho, do Podemos, afirma que o caso expôs lacunas sobre legalidade administrativa da apreensão; critérios de fiel depositário; protocolos de bem-estar animal; fluxo de registro e rastreabilidade; e impactos econômicos para produtores e frigoríficos.

Participam da audiência representantes do Ibama, da Adepará, do setor produtivo e do Ministério Público Federal. O encontro promete confronto técnico - e político.

Porque a discussão ultrapassa Uruará. Ela toca em três nervos sensíveis no Estado: fiscalização ambiental, credibilidade institucional e economia rural.

A zona cinzenta

A legislação autoriza a apreensão de animais vinculados a ilícitos ambientais. O ponto crítico está no pós-apreensão: quem responde civilmente pelo rebanho vivo? Quem audita perdas? Quem certifica eventual morte natural? Quem autoriza leilão ou abate? E onde ficam registrados esses atos?

Sem rastreabilidade transparente, abre-se espaço para suspeitas que contaminam todos os lados. Se o Ibama apreende e a Adepará guarda, a cadeia de responsabilidade precisa ser contínua - não fragmentada.

Mais que bois

No Pará, onde pecuária e meio ambiente vivem em permanente atrito, a audiência não é apenas técnica; é institucional. Se houver falhas, precisam ser apuradas.  Se não houver, precisam ser esclarecidas - porque, quando o Estado recolhe o patrimônio de alguém, assume dever integral de guarda. E quando parte do rebanho desaparece, não é só o produtor que perde.

A confiança pública também vai para o brejo.

Papo Reto

•Nem bem o dia amanheceu, a Prefeitura de Belém se apressou em avisar que a coleta de lixo poderia sofrer atrasos, hoje.

•Motivo: um protesto de trabalhadores que participam de uma mobilização ligada ao movimento nacional que defende o fim da escala 6x1.

•Caminhões não puderam sair do pátio da empresa Ciclus Amazônia, responsável pelo serviço de coleta na capital paraense, para cumprir as rotas previstas. O prefeito Igor Normando (foto) só observa. 

•A Polícia Federal agora tem drones e kits de infiltração doados pela Itaipu para, entre outras coisas, melhor combater o crime organizado na fronteira.

•Câmeras com Inteligência Artificial automatizam as multas no trânsito pelo Brasil.

•Radares que apenas mediam a velocidade ou identificavam avanços de sinal vermelho por sensores físicos já são coisas do passado.

•Em Brasília, há um instituto consuetudinário pouco estudado: quando o tema é espinhoso, cria-se um grupo de trabalho. A sigla é promissora, o verbo é diligente, a ata é extensa. 

•No mais, o "tempo", esse juiz implacável, vai fazendo seu serviço. Entre relatórios preliminares, contribuições interinstitucionais e a sempre prudente "necessidade de aprofundar o debate", o problema ganha o que mais se aprecia na capital Federal: prazo.

•Abre-se amanhã, quinta, a chamada “janela partidária”, período em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. Fidelidade, por ora, é cláusula opcional. 

•Cerca de 80 parlamentares devem deixar a Câmara e o Senado para concorrer a outros cargos. A movimentação antecipa o ritmo eleitoral e já impacta a agenda legislativa. O plenário começa a esvaziar antes mesmo de o eleitor apertar a urna. 

•O TSE retomou a análise das resoluções que regulamentarão as eleições de 2026, com foco na propaganda eleitoral na web e na fiscalização das urnas. Todas as instruções devem ser aprovadas até o dia 5 de março.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.