Polícia Federal expõe o método nacional e acende alerta na bancada do Pará Na pressão, governo quebra monopólio da travessia do Marajó, mas atropela rito Supremo determina afastamento de dois conselheiros nomeados sem concurso no TCM

Saúdes mental e física podem sofrer sequelas com automedicação de antidepressivos

O uso indevido de remédios tarja vermelha ou preta é preocupante para a saúde; Avaliação médica é necessária para o tratamento mental

  • 894 Visualizações
  • 13/10/25 18:00
Saúdes mental e física podem sofrer sequelas com automedicação de antidepressivos

Belém, PA - Cuidar da saúde mental exige, em muitos casos, o uso de remédios controlados para equilibrar o sistema nervoso. Contudo, a automedicação de antidepressivos sem prescrição médica pode acarretar consequências graves às saúdes física e cognitiva. 


Os antidepressivos são destinados ao tratamento de transtornos mentais, como a depressão e ansiedade. Ele também é útil, combinado com outros medicamentos, para pacientes com bipolaridade e psicose. A medicação é indicada somente quando há desequilíbrio dos neurotransmissores chamados de "monoaminas", agentes responsáveis pelas emoções humanas - as mais conhecidas são noradrenalina, dopamina e serotonina.


A principal característica dessa classe de remédios é sua composição lipossolúvel - termo técnico para definir remédios que são facilmente absorvidos e transpassam membranas celulares. Essa propriedade é capaz de ultrapassar barreiras do corpo humano, inclusive as existentes no neurônio e sistema nervoso central. 


De acordo com Bruno Pinheiro, farmacologista e professor da Universidade da Amazônia (Unama), o uso de antidepressivos necessita de avaliação médica e responsabilidade. Ele explica que os remédios possuem reações positivas quando usadas de forma correta.


"As pílulas antidepressivas são indicadas, principalmente, para o tratamento comportamental. Seu propósito é tornar o paciente mais tolerante às emoções humanas, de modo que haja um equilíbrio saudável. O remédio modifica as ações químicas do cérebro, a fim de estabilizar os neurotransmissores", destaca.


Por outro lado, o uso indevido de medicação tarja vermelha ou preta é preocupante para a saúde, acrescenta Pinheiro. "A automedicação é incorreta, seja qual for, mas é ainda mais arriscado quando envolve o sistema nervoso". Ele ressalta o potencial de efeitos colaterais a longo prazo.


"Sem o acompanhamento psiquiátrico, o antidepressivo pode desencadear alterações de humor, ansiedade, pressão alta, ganho de peso e, em situações mais graves, ideação suicida. Além disso, misturar bebidas alcoólicas durante o tratamento potencializa os efeitos colaterais".


O farmacologista afirma, ainda, que a retenção de receita médica é uma maneira de reduzir o acesso de substâncias de alto teor químico por pessoas sem episódios depressivos.


"A prescrição de medicamentos controlados é uma política fundamental para evitar automedicações. Muitas vezes o paciente, ou possível paciente, não tem patologias ou compatibilidade adequadas para o uso do medicamento . A comercialização irregular de antidepressivos é um perigo para todos", alerta.


Foto: 

Mais matérias Saúde

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.