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EDUCAÇÃO

Reajuste de 6% sai, mas rede expõe os gargalos no interior

Pagamento de abril sai dia 28 com aumento geral; sindicato aponta déficit de professores e problemas estruturais no Sistema Modular.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 21/04/26 11:00
Reajuste de 6% sai, mas rede expõe os gargalos no interior
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governo do Pará inicia na próxima terça-feira, 28, o pagamento dos salários de cerca de 160 mil servidores da administração direta e indireta, incluindo ativos, inativos e pensionistas. A folha de abril já incorpora o reajuste geral de 6%, autorizado pela Lei nº 11.358/2026 e publicado em edição extra do Diário Oficial.

 

Sindicato reconhece reajuste, mas afirma que política de valorização ainda não alcança aspectos essenciais no Pará/Fotos: Divulgação.

A gestão estadual atribui o calendário e o aumento ao “equilíbrio fiscal” e à condução responsável das contas públicas, destacando a regularidade dos pagamentos como sinal de estabilidade financeira.

Rede cobra condições

No campo da educação, porém, o anúncio reabre um debate antigo. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) reconhece o reajuste, mas afirma que a política de valorização ainda não alcança aspectos considerados essenciais, como infraestrutura e condições de trabalho, sobretudo no Sistema Modular de Ensino (Some), voltado a regiões remotas.

Segundo o sindicato e relatos de professores, persistem dificuldades em diversas localidades do interior. Entre os pontos citados estão déficit estimado de docentes, ausência ou precariedade de moradia funcional e escolas em condições inadequadas.

Desafios no interior

Levantamentos do próprio Sistema indicam falta de cerca de 700 professores. Em municípios como Abaetetuba e Cametá, há registros de docentes custeando aluguel por conta própria ou sem oferta de moradia. Em áreas ribeirinhas, estudantes seguem assistindo aulas em estruturas improvisadas, com limitações de ventilação e conforto térmico.

Na região oeste, em Santarém, relatos apontam uso de barracões como salas de aula. Já em comunidades do Marajó, como Muaná, o acesso às escolas é impactado por cheias e condições naturais, o que afeta a rotina de alunos e professores.

Em Igarapé-Miri, a Escola Dom Antônio Macedo Costa teve aulas interrompidas por falta de energia elétrica. Como medida emergencial, foi adotado o uso de gerador, solução onsiderada provisória pela comunidade, que cobra alternativas mais estáveis, como energia solar.

O que mais se discute

Outro ponto levantado pelo Sintepp envolve a estrutura salarial. O sindicato sustenta que, mesmo com o reajuste, há cargos com vencimento-base abaixo do salário mínimo, o que, segundo a entidade, exige revisão. O governo argumenta que a composição remuneratória segue a legislação vigente, com inclusão de gratificações.

Há ainda discussão judicial em curso no Tribunal de Justiça do Pará sobre critérios de pagamento de aulas suplementares e interpretação de normas do plano de carreira.

Equilíbrio e pressão

O cenário combina, de um lado, contas públicas organizadas e pagamento em dia; de outro, pressão por melhorias estruturais e revisão de políticas específicas na educação. Na prática, o reajuste de 6% entra no contracheque. Já os demais pontos seguem no campo da negociação e da cobrança.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.