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NA AMAZÔNIA

Novo estudo aponta risco elevado em consumo de peixe por população ribeirinha

Pesquisa coordenada pela Ufopa identifica mercúrio e arsênio acima de limites seguros em cenário de alto consumo alimentar

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/02/26 17:00
Novo estudo aponta risco elevado em consumo de peixe por população ribeirinha
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peixe sempre foi sinônimo de segurança alimentar na Amazônia. Agora, passa a ser também motivo de alerta. Estudo coordenado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em parceria com a Universidade de Santiago de Compostela, a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido acendeu sinal amarelo sobre o consumo frequente de determinadas espécies em comunidades ribeirinhas.

 

Não bastasse o Ver-o-Peso, estudo conduzido pelo pesquisador Antônio Hamad (detalhe) localiza espécie com maior risco de consumo/Fotos: Divulgação.

A pesquisa, More Danger Than Meets the Eye (“Mais Perigoso do que Parece”), analisou 398 exemplares de seis espécies coletadas em Santarém, Itaituba, Juruti, Porto Trombetas e Faro. O resultado: no chamado “cenário amazônico” - que considera consumo médio de 462 gramas de peixe por dia - foram identificados riscos não cancerígenos e cancerígenos acima dos limites internacionalmente aceitos.

Uma em cada quatro

Segundo o coordenador do estudo, professor Antônio Humberto Hamad Minervino, 25% das amostras apresentaram risco cancerígeno considerado inaceitável quando se leva em conta o padrão alimentar ribeirinho. Traduzindo: uma em cada quatro amostras ultrapassa o limite de risco de câncer admitido em avaliações internacionais.

O principal responsável pelo risco cancerígeno foi o arsênio. Já o mercúrio apareceu como o contaminante mais preocupante no risco não cancerígeno - associado a efeitos tóxicos sistêmicos ao longo da vida. Em espécies carnívoras, os índices chegaram a quase 30 vezes o nível considerado seguro. O tucunaré coletado em Porto Trombetas apresentou um dos maiores registros.

O fator consumo

No padrão alimentar nacional brasileiro - estimado em 24 gramas de peixe por dia - os níveis permanecem dentro do aceitável. O problema está na realidade amazônica. Para comunidades ribeirinhas, o peixe não é complemento; é base proteica diária. 

A metodologia internacional de avaliação de risco considera três variáveis: concentração do contaminante, quantidade ingerida e parâmetros médios da população. Quando o consumo sobe, o risco cresce proporcionalmente. A pesquisa chama atenção justamente para essa diferença entre diretriz nacional e prática regional.

Pressões ambientais

Os municípios analisados enfrentam múltiplas pressões: garimpo de ouro, mineração de bauxita, expansão agrícola, desmatamento e queimadas. O mercúrio está historicamente associado à atividade garimpeira. O arsênio, embora menos estudado na Amazônia, tem reconhecido potencial carcinogênico na literatura científica.

Em 2025, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos revisou para cima - em até 20 vezes - a estimativa de risco de câncer associada ao arsênio, reforçando o debate internacional.

Alerta, não pânico

O próprio coordenador do estudo faz questão de ponderar: para a população em geral, o consumo de peixe continua seguro. O risco identificado está vinculado ao padrão alimentar específico das comunidades que consomem peixe diariamente em grandes quantidades. O trabalho, portanto, não condena o peixe; expõe uma vulnerabilidade estrutural.

A questão maior

A Amazônia sempre vendeu a imagem de abundância natural, mas abundância sem controle ambiental vira passivo silencioso. Se o peixe - símbolo máximo da segurança alimentar ribeirinha - começa a carregar contaminantes acima do tolerável, estamos diante de um problema que não é apenas sanitário - ou uma questão de

política pública: com a base da alimentação em risco, não é só a saúde que está em jogo, mas o futuro de quem vive do rio.

Papo Reto

O pastor André Valadão (foto) repercutiu ao revelar nas redes sociais que "nunca foi bolsonarista", apesar de registros públicos ao lado da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. A memória digital tem outro entendimento. 

•Uma senhora que passava pela Praça Brasil, no sábado pela manhã, foi atacada por dois cachorros de propriedade de um morador de rua. 

Os animais parecem ter sido treinados para atacar. Restaram o susto e pequenos hematomas, felizmente.

• Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana anunciou que recorrerá da decisão do STF que tornou facultativa a presença do banqueiro Daniel Vorcaro na comissão. 

Com o cancelamento do depoimento de Vorcaro, a CPMI ouviu a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos, esposa e sócia do assessor do presidente da Conafer, Cícero Marcelino de Souza Santos. 

•O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, publicou vídeo produzido com inteligência artificial como "presente" ao presidente Lula. Na gravação, os dois aparecem crianças e se transformam em adultos em um registro do último encontro entre os líderes. 

O presidente Lula citou o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han ao defender o fim da escala 6x1 e afirmar que o "mundo do trabalho está em transformação". 

•Levantamento do Global Trade Alert mostra que o Brasil será o principal beneficiado pela nova tarifa dos EUA, com a maior redução na alíquota média entre os 20 maiores exportadores. Entenda. 

O presidente Lula afirmou que não lhe cabe opinar sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói que o homenageou no Carnaval. "Eu não sou o carnavalesco". Governo é uma coisa, desfile é outra. Ainda que, no Brasil, política e Carnaval raramente desfilem em alas diferentes.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.