Hana tenta impor ferrolho para travar o orçamento no novo governo do Estado Desembargador que conduz destinos do lixo em Belém pode ser presidente do TJ Imunizante contra malária produzido no Brasil deve mudar realidade na Amazônia
LIVROS E SHOWS

Mesma agenda, vários palcos na Fundação Cultural do Pará em operação federal

Registros oficiais apontam shows com atrações repetidas, em horários coincidentes, em diferentes pontos de Belém.

  • 1102 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 28/03/26 08:00
Mesma agenda, vários palcos na Fundação Cultural do Pará em operação federal
O


s desdobramentos da operação da Polícia Federal sobre contratos da Fundação Cultural do Pará ainda estão em curso, mas, para além das prisões e valores já conhecidos, um detalhe nos registros oficiais chama atenção: programações publicadas indicam apresentações com as mesmas atrações, nos mesmos dias e horários, em mais de um local da capital.

 

Fundação Cultural na mira da PF: de livros a shows sob suspeita, falta de transparência torna gestão cenário nebuloso no setor paraense/Fotos: Divulgação.

Segundo os dados disponíveis, os eventos ocorreriam simultaneamente, entre os dias 7 e 9 de março, em praças distintas de Belém, como Jaú, Waldemar Henrique e do Carmo. A questão que surge é objetiva: houve alteração de programação, desmembramento de equipes ou os registros refletem integralmente o que foi executado?

Entre livros e shows

Os contratos que estão sob análise envolvem empresa formalmente ligada ao comércio de livros, mas que também foi contratada para a realização de eventos musicais. No mesmo pacote, aparecem ações de distribuição de livros a municípios do interior - política pública que, segundo fontes do setor editorial, opera com baixa transparência quanto aos títulos adquiridos e à diversidade de fornecedores.

A concentração do mercado e a ausência de detalhamento sobre os acervos distribuídos são pontos recorrentes de questionamento fora dos autos.

Rastro financeiro

A investigação teve início após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação atípica envolvendo saque em espécie de R$ 500 mil. A partir daí, a Polícia Federal realizou abordagens, apreendeu valores, equipamentos e prendeu suspeitos ligados aos contratos.

O enredo é conhecido, mas os documentos acrescentam uma camada que ainda carece de explicação: a compatibilidade entre o que foi contratado e o que, de fato, poderia ser executado.

Versão oficial

Em nota, a Fundação Cultural do Pará informou que segue a legislação vigente e que contratações por inexigibilidade ocorrem em situações de inviabilidade de competição. Afirmou ainda que parte dos recursos é oriunda de emendas parlamentares com destinação definida e que não possui responsabilidade sobre a gestão dos valores após o repasse às empresas contratadas.

Então, fica combinado assim: no papel, a agenda se multiplica; na prática, resta saber como - e se - ela se cumpriu.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.