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CARNAVAL DE VOTOS

Entre pão, circo e "trecho da morte", Carnaval mascara problemas no Pará

Enquanto autoridades caem na folia no interior, precariedade das estradas e na saúde expõe contraste entre espetáculo político e abandono.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 17/02/26 08:54
Entre pão, circo e
A


política do pão e circo foi uma estratégia romana de controle social que consistia em oferecer alimento barato e entretenimento de massa para desviar a atenção da população dos problemas políticos e evitar revoltas, especialmente contra os altos impostos cobrados da população.

Séculos à frente, esse recurso tem sido uma prática recorrente dos políticos modernos, que segue a mesma lógica no Brasil e no Pará. Prova disso foi o final de semana de "carnaval eleitoral", com o governador Helder Barbalho, pré-candidato ao Senado, e o restante dos nomes abençoados para sua futura chapa se jogando nos eventos carnavalescos do nordeste ao oeste paraense, nos carnavais de maior representatividade, como os dos municípios de Vigia de Nazaré, Salinópolis, Cametá, Curuçá e Óbidos.

Revoada de políticos para o interior foi uma das maiores dos últimos anos, deixando descobertos velhos dilemas da população/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.

 Agenda carnavalesca

Na agenda carnavalesca essas autoridades fizeram sala para nomes que cobram cachês milionários por apresentações, como o DJ Alok, que animou a festa em Cametá; fizeram aparições nas ruas de Óbidos com o Carnapauxis e seus blocos de mascarados que atraem milhares de pessoas para a folia; dancinhas no irreverente carnaval vigiense e nos megashows de Salinópolis, na região do Salgado e, não bastasse, houve quem esquecesse até as doutrinas das igrejas que frequentam para, literalmente, tomar banho de lama no bloco "Pretinhos do Mangue", de Curuçá.

Com exceção das regiões oeste do Pará e do Baixo Tocantins, para se chegar a todos esses locais é necessário pegar, no todo ou em parte, a única saída terrestre de Belém, cuja pista em eterna obra de duplicação entre os municípios de Castanhal e Santa Maria do Pará é conhecida nacionalmente como "trecho da morte".

Trecho chamado Priante

O percurso também é apelidado pela população do entorno de “Trecho Priante”, em referência ao deputado federal paraense que, há mais de uma década, promete a conclusão da duplicação da rodovia. Apesar de inúmeras visitas ao local, com vídeos gravados e compromissos públicos, a obra - de responsabilidade do governo federal e iniciada há mais de cinco anos - ainda não foi finalizada, somando nesse período apenas 50% já com intervenções e algumas partes asfaltadas que, certamente, quando houver a conclusão, já serão trechos precisando de muitos reparos.

Quem passa hoje pelo local vê no máximo uma ou duas máquinas sempre estacionadas, com poucos avanços nas obras nos últimos meses, enquanto moradores e motoristas que trafegam pela BR-316 cobram providências urgentes, destacando que o trecho já foi palco de diversos acidentes graves e com muitas mortes ao longo dos anos.

Até o circo deu ruim

Já em Belém, a capital do Pará, nem o circo se salvou. O palco do "Carnabelém" promovido pela prefeitura da capital recebeu uma "decoração" simples de palha seca que não agradou em nada o público, que durante os shows gritou severas críticas em vários tons ao prefeito Igor Normando.

Fora do circo, uma turista que viajou para a Ilha de Cotijuba no feriado de Carnaval e sofreu uma queda de um trapiche, contou em vídeo a precariedade que encontrou no posto médico da ilha que pertence a Belém. Ela narrou a falta de um equipamento básico de urgência, que é um aparelho de raio-X, do qual ela necessitou para um exame que revelaria se ela tinha fraturado a região da bacia.

Total falta de estrutura

A turista também seguiu a narrativa denunciando a total falta de estrutura no posto de saúde da ilha: o local estava sem ambulâncias, sem lancha para transporte de pacientes e até sem computador para que a equipe pudesse acessar o sistema de regulação para fazer os pedidos de transferências de pacientes para hospitais de referência na região continental de Belém.

É o puro retrato de quando até mesmo no "pão e circo" o pão tem falhado quase que por completo, e o circo surge de péssima qualidade.

Papo Reto

·A Porsche fechou as portas em Belém. A loja funcionava no Shopping Grão-Pará, mas o mercado de luxo da capital mostrou seus limites. 

·Não é falta de desejo, nem demérito da cidade: é perfil. Levantamento interno indicou que a ostentação local costuma ser mais “capa” do que conteúdo - quando não flerta com mandatos e negócios nebulosos. 

·Os verdadeiramente ricos seguem discretos e, quando querem brilhar, preferem outras praças. Luxo extremo não combina com qualquer vitrine.

·A CPI do Crime Organizado no Senado votará a convocação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), logo após o carnaval, para prestar esclarecer sobre suas supostas ligações com o escândalo envolvendo o Banco Master.

·A votação está prevista para o dia 24, podendo convocar, também, os irmãos do magistrado que foram sócios dele na Maridt Participações.

·A grande verdade é que combustível é o que não falta na mão da oposição para pressionar por investigação e impeachment de Toffoli, apesar da "blindagem institucional".

·A escassez de mão de obra qualificada atingiu em cheio a indústria nacional, diz a Confederação Nacional da Indústria.

·Não é nada, não é nada, mas a situação já alcança 23,3% das empresas brasileiras. 

·Após o pedido da PF para que o ministro Dias Toffoli fosse afastado do caso Master, os senadores Eduardo Girão e Magno Malta aditaram o pedido de impeachment apresentado em janeiro. 

·Segundo os congressistas, a situação é inédita, e exige uma resposta institucional firme do Congresso. 

·Cientistas da Universidade de Macau concluíram que vídeos de formato curto usados nas redes sociais e vistos em scrolling  -rolagem da tela - em aparelhos celulares impactam negativamente no desenvolvimento cognitivo das crianças, podendo causar ansiedade social e insegurança.

· Um estudo do Fundo Monetário Internacional constatou que o programa do governo federal Bolsa Família não reduz a participação das mulheres na força de trabalho, a não ser para aquelas com crianças de até seis anos.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.