Hana tenta impor ferrolho para travar o orçamento no novo governo do Estado Desembargador que conduz destinos do lixo em Belém pode ser presidente do TJ Imunizante contra malária produzido no Brasil deve mudar realidade na Amazônia
FECHADA PARA REFORMA

Em Belém, escola prometida, alunos esquecidos - e assim caminha a educação

Enquanto o governo exibe “tempo integral”, escola no Guamá apodrece há sete anos à espera de uma obra que nunca começou.

  • 1293 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 18/02/26 09:00
Em Belém, escola prometida, alunos esquecidos - e assim caminha a educação
P


or mais propaganda que faça o governo do Pará, a realidade da educação pública insiste em desmentir o discurso oficial. Para cada escola “em tempo integral” anunciada, há duas ou três mergulhadas no abandono - sem cronograma, sem obra e sem explicação.

 

Escola aparece como beneficiária de um projeto de demolição e reconstrução financiado com dinheiro federal que não saiu do papel/Fotos: Sandro Barbosa.

O caso da Escola Professora Celina Anglada, localizada na travessa Liberato de Castro, no bairro do Guamá, em Belém, é exemplar, mas, sobretudo, constrangedor.

Moradores denunciam o que os olhos confirmam: prédio abandonado, depredação, lixo, ratos e grande acúmulo de água parada. Um cenário perfeito para a proliferação de doenças, especialmente em pleno inverno amazônico. Não à toa, o Guamá registrou 278 casos de dengue notificados em 2025.

Obra existe só no papel

No site da Secretaria de Educação do Pará, a escola aparece como beneficiária de um projeto ambicioso: demolição e reconstrução quase integral do prédio, dentro do programa “Educação por todo o Pará”, financiado por empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O valor do empréstimo, contratado em novembro de 2023, chega a US$ 100 milhões. No papel, tudo funciona. Na prática, a escola segue fechada - e apodrecendo.

Descaso contínuo

Inaugurada em 2009, no governo de Ana Júlia Carepa, a “Celina Anglada” nasceu com vícios de origem. Construída abaixo do nível da rua, passou a sofrer alagamentos logo após a abertura. À época, falava-se em nova licitação e aporte extra de R$ 1,5 milhão. Falava-se.

Em 2019, após vistoria da Auditoria Geral do Estado, a escola foi interditada. O relatório apontou riscos graves a alunos, professores e funcionários, além da inexistência de alvará de funcionamento e do ‘habite-se’ do Corpo de Bombeiros.

Alunos espalhados

Com a interdição, os alunos foram realocados em espaços improvisados: parte divide um prédio com uma panificadora na mesma travessa Liberato de Castro; outra parte foi enviada para a escola Barão de Igarapé Miri, na alameda Mamoré.

Enquanto isso, o prédio original - fechado “para reforma” - virou um esqueleto urbano, com acesso livre e sem qualquer controle. Sete anos depois, a obra sequer teve ordem de serviço emitida.

Empresa e silêncio

Pelo contrato de empréstimo nº 106/2018, firmado ainda no governo de Simão Jatene, a empresa Multisul Engenharia seria responsável por reformar 10 salas de aula e construir 16 boxes de banheiro, além de adequações de conforto ambiental. Nada disso saiu do papel. O que saiu - e corre livremente - é a água parada no interior da escola.

Educação, saúde, risco

O abandono da “Celina Anglada” deixou de ser apenas um problema educacional. Tornou-se uma questão de saúde pública. Um prédio abandonado, em área residencial, funcionando como potencial foco de dengue, leptospirose e outras doenças, não é detalhe administrativo - é negligência.

Pais, responsáveis e moradores cobram respostas. Cobram respeito. Cobram providências urgentes. Até agora, receberam apenas promessas recicladas, cronogramas virtuais e uma obra que existe - curiosamente - só no site oficial.

No Guamá, o tempo passa, a água acumula e a escola continua fechada.

Papo Reto

•O bispo de Ponta de Pedras, Dom Teodoro Mendes (foto), toma posse como novo bispo da Diocese de Santiago de Cabo Verde, na África, retornando à terra natal.

•A posse acontece no dia 3 de maio, com presença de bispos da CNBB regional como nacional. Dom Teodoro foi nomeado pelo Papa Leão XIV para substituir o Cardeal Furtado, que se tornou emérito ao atingir a idade-limite.

•Agora, Dom Teodoro pode ascender ao Cardinalato, tornando-se “papável " no próximo conclave.  Além de bispo auxiliar de Belém, Dom Teodoro foi bispo referencial da CNBB Nacional para o Diálogo Ecumênico e Interreligioso. 

•O secretário de Governo do município de Itumbiara, em Goiás, genro do prefeito da cidade, matou os filhos a tiros e, em seguida, tirou a própria vida. A tragédia teria sido motivada por uma separação conjugal. 

•O projeto de lei 6.964/2025, do deputado Duda Ramos, propõe proibir, por até cinco anos, a celebração de novos contratos de aluguel com inquilinos que abandonarem animais de estimação ao deixar o imóvel.

•A medida prevê multa, responsabilização pelos custos de resgate e obrigação de comunicação do caso às autoridades em até 48 horas. 

• Não há casos confirmados do vírus Nipah no Brasil até o momento; não existe motivo para preocupação após o Carnaval, disse o Ministério da Saúde em nota.

•A pasta reforça que o País mantém protocolos permanentes de vigilância epidemiológica e acompanha de perto os desdobramentos. A conferir.

•Para o sócio do BTG Pactual, o principal desafio do País não é econômico, mas institucional, com foco na preservação das regras democráticas. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.